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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
Esse me deixou arrepiado. Talvez porque os dois primeiros jogos da série Fallout tenham sido excelentes, mas o fato é que este trailer de Fallout 3 é uma pequena obra-prima. Se o jogo for tão bom quanto parece, temos um novo clássico. 


 
posted by Alexandre at 23:04
Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
Só o tédio das férias para me fazer postar de novo no blog. (O tédio fora das férias me faz fazer coisas mais interessantes).

Parece que a mídia anda incensando uma tal de Mallu Magalhães, garota de 16 anos que vem sendo considerada uma "cantora revelação". Aí eu fui ver o porquê da barulheira e assisti no youtube o clip da música dela, uma tal de Tchubaruba.

Bom, cantora propriamente falando ela não é. Tem uma vozinha frágil, que se adequa ao tipo de música que ela faz. E a música propriamente dita não é nada demais, um folkzinho anódino que não fede nem cheira - é, quando muito, "bonitinha". Dá pra sacar que ela passou muitas tardes depois da aula ouvindo a discografia completa do Belle and Sebastian.

Acho que a razão da barulheira é que a menina "estourou", digamos assim, na internet, sem contrato com gravadora nem aparição no Domingão do Faustão. Ela simplesmente postou as musiquinhas dela em algum site e fez sucesso entre os internautas - um sinal dos novos tempos.

Claro, agora que ela faz sucesso, já tem clip "oficial" e parceria com Marcelo Camelo, dos finados Los Hermanos. Só falta ser incluída na trilha sonora de Malhação. Ou será que já foi?

É legal ver alguém surgir do nada, sem esquema de gravadora por trás. Não é legal quando a mídia faz a gente crer que a menina é realmente talentosa - ela precisa comer muito feijão com arroz pra isso.

Volto em breve.
 
posted by Alexandre at 17:54
Domingo, 27 de Julho de 2008
Um postzinho rápido só pra dar sinal de vida. Uma coisa que eu descobri é que só devo postar coisas tristes quando estiver de bom humor, porque senão fica aquela coisa choraminguenta, repleta de auto-piedade.

Então, como hoje estou me sentindo particularmente azedo, não vou escrever nada sobre isso. Deixo-os apenas com mais uma tirinha do Perry Bible Fellowship.
 
posted by Alexandre at 16:48
Domingo, 20 de Julho de 2008

Finalmente arrumei um cinema onde não houvesse filas quilométricas para assistir ao mais novo filme do Batman, "O Cavaleiro das Trevas".

E posso dizer que é o melhor filme de super-herói que eu já vi. Christopher Nolan, o diretor, pegou o clima realista e "pé no chão" do primeiro (Batman Begins) e o amplificou à enésima potência. Lá pelas tantas, eu esqueci que estava vendo um filme cujo personagem principal é um sujeito que veste uma roupa de morcego; há todos os elementos de um bom thriller policial no filme de Nolan e as duas horas e meia passam voando.

Quem espera um filme tradicional de super-herói, com montes de efeitos especiais e piruetas malucas, pode esquecer. Nolan mergulha ainda mais no caráter sombrio do Batman, trocando as piadas fáceis por densidade psicológica - é quase um filme de super-herói para adultos, a despeito da idade mínima ser 12 anos. Batman aparece aqui como um sujeito atormentado e no limite da insanidade, dividido entre ser o herói que Gotham City precisa e tentar ter uma vida normal, passando o cetro para outros tipos de herói, como o promotor Harvey Dent, que move uma cruzada contra os mafiosos de Gotham. Mafiosos esses que, em certo momento, acabam por recorrer aos préstimos de um novo e perigoso maníaco - o Coringa.

Com toda a comoção causada pela morte prematura do intérprete do Coringa, o ator Heath Ledger (este foi seu último filme), parece que elogiar a interpretação dele é quase uma questão de noblesse oblige - não se deve falar mal dos mortos. Mas Heath não precisa disso - seu Coringa é o melhor vilão do cinema nos últimos tempos e sua interpretação é verdadeiramente vulcânica. Como o próprio personagem diz a certa altura, ele é um agente do caos - e é isso o que o torna assustador, um punk psicótico cujo único objetivo é causar morte, anarquia e destruição. Ledger imprime essas características ao personagem numa composição cuidadosa, desde a voz até o jeito de andar e a maneira de olhar. Não é à toa que estão falando em Oscar póstumo para o ator.

Isto não quer dizer que ele necessariamente rouba a cena do Batman ou dos demais personagens - Nolan tem extremo cuidado em fazer com que todos os envolvidos na trama deixem sua marca, e nenhuma é mais trágica do que a do promotor Harvey Dent, que ao longo do filme se transforma de paladino da justiça em um homem torturado e à procura de vingança.

Claro que há as cenas de ação, os momentos de adrenalina, mas eles nunca estão lá para roubar o foco principal, que é nos personagens, seja o angustiado Tenente Gordon (que acaba virando o Comissário Gordon), seja Rachel Dawes, que se divide entre o amor por Harvey Dent e a velha paixão por Bruce Wayne - aliás, um bom trabalho de Maggie Gyllenhaal, substituindo a insossa sra. Tom Cruise, Katie Holmes - que era o ponto fraco do primeiro filme.

Como para reafirmar o foco escolhido pelo diretor, as cenas mais antológicas não são as cenas de ação frenéticas, e sim os embates tensos entre os personagens. Basta ver a cena em que o Batman interroga o Coringa na sala de uma delegacia para se perceber que estamos diante de um filme de heróis completamente atípico.

É um filme denso, realista (na medida em que pode ser realista um filme sobre um cara que se veste de morcego), sombrio - e é um dos melhores filmes do ano.
 
posted by Alexandre at 20:28
Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Estou quieto. Lá fora os carros passam depressa, zumbindo. A tela do computador me olha como um enigma. "Decifra-me ou te devoro." Meus olhos vazios fitam o tempo, a noite é cega.

Estou só. Apenas o ruído do ventilador às minhas costas. Nenhuma palavra. Nenhuma voz humana. Minha barba de uma semana coça. Ontem eu matei uma barata. As bitucas de cigarro se acumulam no cinzeiro.

Estou quieto e sozinho. Meu olhar se perde no escuro do céu entre os prédios. Isto deveria ser vida, mas não é. Ainda não sei o que procuro. Não sei o que desejo. E ao me olhar no espelho, rio de mim mesmo, pois estou muito velho para ter dúvidas. Agora que o tempo escava valas profundas em minha pele, agora que tenho contas a pagar, tenho também dúvidas. É patético. É risível.

Mas as dúvidas serão dirimidas, eu sei. Vislumbro ao longe as montanhas da Transilvânia. Não quero voltar para lá. Quero apenas ficar aqui, quieto, vendo a fina fumaça do cigarro subir ao teto. E quero acabar com as dúvidas e voltar ao que eu tinha antes.

Mas escuto a voz do condutor: "Última chamada para o trem que parte para a Transilvânia! Última chamada!"

Os carros zumbem na rua. Ontem uma barata morreu aqui. Olho-me no espelho, hora de fazer a barba. Hora de decidir. Lentamente, caminho até a marca do pênalti e ajeito a bola com cuidado. "Última chamada..." Tomo distância para o chute.

O cigarro acabou.
 
posted by Alexandre at 20:04
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Sinto-me obnubilado, tomado por uma vaga angústia que não sei explicar de onde vem. Caminho entre os vivos como se morto eu fosse, observando-os com um misto de penúria e distância. As palavras dos vivos parecem longínquas, como se viessem de um abismo muito profundo, semelhantes à voz de John Lennon em “Tomorrow Never Knows”.

Mas não há nada aqui, nada que me incomode de verdade, nada que me faça desejar a ausência. Apenas me sinto como chumbo, pesado e cinza. (Bom, magro eu não sou, isto é um fato.)
Vai ver que é apenas azia. Um sal de frutas talvez resolva. Uma longa noite de sono (que eu não terei hoje) também poderia resolver.

É que tudo isto parece pequeno, um calabouço, um confinamento. É uma angústia kafkiana, se assim quisermos dizer, pois não possui sentido ou lógica. Simplesmente acontece, como a digestão – estou dizendo, talvez seja azia.

Meu chefe dorme sentado em uma cadeira e ronca como um motor de popa mal regulado. Meus colegas coçam o saco de maneiras diferentes, todos à espera do fim do expediente, horas que não passam, tarde que não termina, vida que não se acaba. Eu escrevo este texto com um bloco de cimento no lugar do coração e este maldito e indefinível incômodo na alma. Um sal de frutas haverá de resolver. Tem de resolver. Por favor.
 
posted by Alexandre at 14:12
Quarta-feira, 16 de Abril de 2008
E lá vou eu quebrar uma regra não escrita deste blog: a de nunca publicar poemas meus aqui. Mas acho que não tem problema, este é tão ruinzinho que não vai fazer diferença, é só pra eu movimentar um pouco este espaço. Lá vai:

esta caçada inútil
este resfolegar sem nexo
como um animal acuado
eu me encolho à espera
do momento mais nítido
em que eu possa lutar
a noite flutua em meu copo
eu me deito como quem morre
e desperto - eis-me tão só
a caçada me leva ao abismo
e o abismo me leva a mim mesmo
 
posted by Alexandre at 23:44

Caiu-me nas mãos hoje um livrinho bem interessante, chamado "A Máquina - Michael Schumacher, o Melhor de Todos os Tempos", escrito pela jornalista Alicia Klein. Como fã do alemão, eu não poderia deixar passar barato.

Considero o livro assombroso por duas razões: primeiro, por ser uma peça de propaganda explícita do Schumacher em plena Terra Brasilis, onde, como sabemos, Ayrton Senna é venerado e tido como uma espécie de segunda encarnação de Cristo; e, em segundo lugar, por ter sido escrito por uma... brasileira?

Pois é, machismos à parte, quando é que se poderia imaginar encontrar uma brasileira que gosta de Fórmula 1 e ainda por cima é fã do Schumacher? Avis rara, diria eu.

Claro que o livro tem lá suas limitações como biografia, e não poderia ser diferente: nascido de um trabalho de conclusão do curso de jornalismo, falta-lhe a substância e o peso que só poderiam ser adicionados com entrevistas pessoais com as figuras envolvidas na história do alemão, a começar por ele próprio. Faltam algumas histórias saborosas de bastidores, que devem existir mas às quais a jovem autora, compreensivelmente, não tem acesso.

Isso não lhe tira o mérito de dar uma visão abrangente sobre a carreira de Schumacher, e, ainda por cima, ser uma leitura agradável, mesmo que baseada em fontes de segunda mão.

Ou seja, quem é fã de Fórmula 1 vai ao menos se divertir com o livro. Isso se não for um daqueles xiitas do Senna, para os quais o piloto brasileiro está sentado à direita de deus pai.
 
posted by Alexandre at 23:17