terça-feira, 3 de novembro de 2009
Shiatsu infernal
Regularmente eu me dou o prazer de uma massagem - mas é massagem mesmo, shiatsu, não o que vocês estão pensando, seus pervertidos. Normalmente, tenho minhas massagistas preferidas, mas hoje eu não encontrei nenhuma delas na clínica onde faço a massagem. Ao invés disso, dei de cara com uma massagista que parecia mais uma caminhoneira e chupava displicentemente um pirulito sabor cereja (ou é o que parecia, pelo cheiro).
Desconfiado, eu disse que iria fazer apenas 15 minutos de massagem - e foi a pior decisão que eu tomei nos últimos tempos. Depois de estar acomodado na cadeira, eu a escutei esfregar as mãos - pensei que era para aquecê-las, mal sabia eu que provavelmente era a feliz antecipação por ter mais uma vítima a seu dispor.
A mulher partiu para cima de mim como uma leoa ferida protegendo os filhotes contra um predador. Foi pancadaria da grossa. Enquanto ela me apertava como se quisesse fazer o sangue sair pelas bolas dos meus olhos, e enquanto ela me amassava como se eu fosse uma batata cozida, eu tentei lembrar que mal eu poderia ter feito àquela criatura. Isso quando eu conseguia pensar, porque a dor me impedia de concatenar duas frases inteligíveis. Ao invés de gritar para que aquela tortura medieval acabasse, eu me vi envergonhado, sem querer dizer a ela que Satanás em pessoa provavelmente se queixaria de tal tratamento.
E ela continuou a me bater impiedosamente, como se eu fosse o responsável por tudo de ruim que houvesse acontecido na vida dela. Quando ela chegou no couro cabeludo, parecia querer arrancar tufos do meu cabelo, certamente para usá-los em algum ritual estranho e demoníaco. Nunca 15 minutos demoraram tanto a passar. Meu medo é que ela resolvesse massagear minhas pernas e me deixar manco para sempre. Felizmente, parece que os 15 minutos não incluíam a massagem nas pernas, e respirei aliviado por isso.
Quando ela terminou, meu primeiro impulso foi procurar o IML para fazer um exame de corpo de delito. Ainda tive de pagar pela surra. Agora confesso que estou com medo. Medo de que no meio da noite ela apareça no meu quarto e diga a palavra fatal: "Relaxe."
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