terça-feira, 13 de abril de 2010

Às vezes o tempo...

... parece escorregar de minhas mãos como se areia fosse, a se despedaçar no chão entre as correntes que me prendem os pés. Às vezes o horror de tudo isto se materializa claramente diante de mim, quase como um espectro, e às vezes não passa de um borrão, uma mancha rápida que permanece por um segundo na retina.

Às vezes o calabouço dos meus sonhos é meticulosamente limpo e asseado, como se um novo hóspede fosse esperado, e às vezes é uma masmorra de longas e velhas tristezas, abandonada e arruinada pelo tempo.

Às vezes tudo é excessivo, tudo é peso, tudo se foi. E às vezes tudo possui a leveza inatingível do hidrogênio, tudo é um sonho, um sonho calmo e superficial, um abrir e fechar de pálpebras, um momento antes do despertar.