terça-feira, 3 de novembro de 2009

Shiatsu infernal




Regularmente eu me dou o prazer de uma massagem - mas é massagem mesmo, shiatsu, não o que vocês estão pensando, seus pervertidos. Normalmente, tenho minhas massagistas preferidas, mas hoje eu não encontrei nenhuma delas na clínica onde faço a massagem. Ao invés disso, dei de cara com uma massagista que parecia mais uma caminhoneira e chupava displicentemente um pirulito sabor cereja (ou é o que parecia, pelo cheiro).

Desconfiado, eu disse que iria fazer apenas 15 minutos de massagem - e foi a pior decisão que eu tomei nos últimos tempos. Depois de estar acomodado na cadeira, eu a escutei esfregar as mãos - pensei que era para aquecê-las, mal sabia eu que provavelmente era a feliz antecipação por ter mais uma vítima a seu dispor.

A mulher partiu para cima de mim como uma leoa ferida protegendo os filhotes contra um predador. Foi pancadaria da grossa. Enquanto ela me apertava como se quisesse fazer o sangue sair pelas bolas dos meus olhos, e enquanto ela me amassava como se eu fosse uma batata cozida, eu tentei lembrar que mal eu poderia ter feito àquela criatura. Isso quando eu conseguia pensar, porque a dor me impedia de concatenar duas frases inteligíveis. Ao invés de gritar para que aquela tortura medieval acabasse, eu me vi envergonhado, sem querer dizer a ela que Satanás em pessoa provavelmente se queixaria de tal tratamento.

E ela continuou a me bater impiedosamente, como se eu fosse o responsável por tudo de ruim que houvesse acontecido na vida dela. Quando ela chegou no couro cabeludo, parecia querer arrancar tufos do meu cabelo, certamente para usá-los em algum ritual estranho e demoníaco. Nunca 15 minutos demoraram tanto a passar. Meu medo é que ela resolvesse massagear minhas pernas e me deixar manco para sempre. Felizmente, parece que os 15 minutos não incluíam a massagem nas pernas, e respirei aliviado por isso.

Quando ela terminou, meu primeiro impulso foi procurar o IML para fazer um exame de corpo de delito. Ainda tive de pagar pela surra. Agora confesso que estou com medo. Medo de que no meio da noite ela apareça no meu quarto e diga a palavra fatal: "Relaxe."

sábado, 31 de outubro de 2009

Tradição

Tradição no dia do meu aniversário: ouvir Joy Division.

Neste momento, Closer.


domingo, 11 de outubro de 2009

Poço dos desejos

Só uma tirinha do Perry Bible Fellowship para não dizerem que eu não atualizo o blog:










Veja em tamanho maior aqui.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Não tem talento? Aprenda a técnica!

Eu me meti neste ofício de escrever já há muitos anos, e, embora minha produção não seja caudalosa, gosto de pensar que o que escrevo ao menos tem alguma arte.

Então, de repente, abro meus emails hoje e dou de cara com um spam que anuncia um "workshop de técnicas para escrever ficção". O remetente é um tal Júlio Rocha, que aparentemente promete ensinar as técnicas dos escritores de sucesso a qualquer um que queira se tornar escritor. Ele ensina como criar personagens "inesquecíveis", como escrever diálogos "inteligentes", como trabalhar sentidos e emoções no texto, e mais um monte de detalhes, incluindo "inícios e finais impactantes".

Em resumo: se você não tem o talento, então aprenda as técnicas e escreva um best-seller.

É um fato que para tudo o que se faz existe uma técnica que pode ser aprendida. Eu não sei chongas sobre conserto de motores, mas posso aprender as técnicas para fazê-lo. Também estou longe de ser um instrumentista, mas qualquer um pode aprender uns acordes básicos e arranhar um violão ou uma guitarra. O problema é que a técnica ensina tudo, menos o principal: a arte. A arte depende do talento.

Quando mais novo, eu tentei pintar quadros a óleo. Meus pais até me ajudaram, comprando uns fascículos que ensinavam o básico da profissão: como fazer esboços, como usar tintas e pincéis etc. Não consegui ir muito além de uma cópia mal ajambrada de um quadro de Van Gogh e de uma natureza morta que parecia particularmente morta (e espero que tenha sido enterrada). Descobri ali que eu era muito melhor ao inventar descrições sarcásticas para os meus quadros do que para propriamente pintá-los. Se eu tivesse persistido, não tenho dúvidas de que conseguiria sair daquele estágio e produzir coisas até visualmente agradáveis. Mas "visualmente agradável" não equivale a "artístico" e eu nunca conseguiria continuar sabendo que não passaria de um pintor medíocre. Eu não tinha talento para a pintura.

E aqui voltamos ao bem-intencionado spam que eu recebi. O sujeito que oferece o workshop está na dele, certamente precisa comprar o leitinho das crianças e esse é um meio válido como qualquer outro. Mas imagine o cidadão que vai a um workshop desses pensando em se tornar o próximo Machado de Assis, só que não consegue criar duas frases minimamente interessantes. Ele vai aprender todas as técnicas, todos os macetes, todas as firulas, e vai... escrever um livro medíocre. Simplesmente porque a verdadeira arte não pode ser ensinada; é uma espécie de dom, ou você tem ou não tem. Pode-se aprimorar o dom, domá-lo, tirar-se dele o melhor proveito possível, mas não se pode simplesmente transferi-lo a outrem como se fosse uma receita de bolo.

E o pior é que as tais "técnicas" para escrever ficção só funcionam para produzir sub-literatura. Nenhum escritor digno desse nome se debruçaria sobre tais técnicas para criar sua obra, simplesmente porque a arte prescinde de regras que podem ser usadas como... bem, como uma receita de bolo. Os grandes artistas se destacaram por produzir obras que desafiaram o senso comum: Monet foi ridicularizado pelos primeiros críticos por seus quadros que pareciam "borrões", James Joyce continua a desafiar leitores no mundo todo com o imortal "Ulisses", Beethoven espantou o mundo abrindo novos caminhos para a música clássica. É óbvio que nem todo artista tem que ser um gênio; há e deve haver espaço para a arte que segue os passos abertos por desbravadores. Mas aqui falamos de arte, coisa muito diferente do que o workshop do nosso amigo Júlio Rocha propõe.

De mais a mais, eu estaria sendo apenas ingênuo se julgasse que todos os que comparecerem ao tal workshop possuem ambições artísticas ou desejam ser "o próximo Machado de Assis". A julgar pelo nível de mediocridade que hoje assola o planeta, é mais provável que eles se contentem em ser genéricos de Dan Brown (aquele do "Código da Vinci") ou apagados imitadores de Sidney Sheldon.

Portanto, sr. Rocha, boa sorte com o seu workshop. Faça-me ao menos um favor: estimule seus alunos a lerem ao menos algumas linhas de Melville, quiçá algumas páginas de Baudelaire, quem sabe alguns parágrafos de Graciliano Ramos. Talvez um deles escape e se torne um artista. Os outros vão se espremer no mercado dos 'Códigos', 'Segredos' e 'Crepúsculos' da vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O "Nelsongate"

Eu não ia mais escrever sobre F1 aqui neste blog, mas como o Cockpit está parado e vai passar por uma reforma para a temporada 2010, tenho de comentar aqui o maior escândalo dos últimos tempos na Fórmula 1: o "Nelsongate", que nada mais é do que a confissão feita por Nelsinho Piquet de que o acidente que ele sofreu em Cingapura, na temporada 2008, e que provocou a entrada do carro de segurança, foi causado propositalmente por ele mesmo, sob ordens da equipe Renault, para favorecer o companheiro de time, Fernando Alonso (que acabou vencendo a corrida).

Muita tinta virtual já foi gasta sobre o tema e eu não vou repetir tudo aqui (a esta altura dos acontecimentos, quem não sabe do que se trata  pode conferir, por exemplo, neste link).

O fato é que o escândalo acabou derrubando ainda mais a credibilidade da F1, já tão abalada por outros escândalos recentes, e acabou levando à demissão dos dois manda-chuvas da equipe Renault, Flavio Briatore e Pat Symonds. Além de provavelmente ter enterrado a carreira da Nelsinho Piquet como piloto de Fórmula 1.

Duas considerações logo de cara: o que leva um piloto a aceitar participar de uma trama sórdida como essa? E como confiar de novo nos resultados de um esporte no qual, aparentemente, vale tudo para se levar vantagem?

Nelsinho Piquet diz que estava sob intensa pressão da escuderia, que estava "mentalmente frágil" (hum... sei) e que fez o que fez porque achou que isso lhe garantiria mais um ano de contrato. Nenhuma das razões, obviamente, serve para justificar tamanha estupidez. Piquet Jr. me parece ser aquele piloto mimado, filhinho de papai, que sempre teve tudo o que quis (papai Piquet sempre bancou a carreira do filho com equipes próprias) e que, na hora de tomar uma decisão que exigia maturidade, escorregou feio (literalmente). Tivesse um pouco mais de fibra moral e pelo menos teria pensado duas vezes antes de fazer o que fez.

Que Briatore não é lá flor que se cheire é algo sabido e conhecido de todos, mormente aqueles que trabalham na F1. Por mais que eu seja fã de Schumacher, não posso evitar de pensar que pelo menos um dos campeonatos dele, o primeiro, de 1994, pode muito bem ter sido ganho na base da mão grande, já que havia suspeitas na época de que a Benetton usava auxílios eletrônicos proibidos pelo regulamento daquele ano. O que veio à tona no Nelsongate só reforça agora essa suspeita.

A F1 agora terá de lidar com a desconfiança generalizada de todos os que já achavam que o esporte não era lá muito católico. Eu, particularmente, não acho que a F1 seja um antro de mafiosos dispostos a vender até a própria mãe para faturar uns pontinhos a mais no campeonato, mas vai ser impossível ver alguma manobra mais estranha durante uma prova e não pensar: "ih, será que é armação?" Pra piorar, o ex-piloto Eddie Irvine disse que trapaças são coisa corriqueira na F1 e o também ex-piloto (e campeão em 1996) Damon Hill disse que há muita coisa que precisa ser investigada no esporte. Não sei se dá pra levar totalmente a sério o que diz Irvine (ele sempre foi chegado numa declaração polêmica), mas Hill me parece uma fonte mais confiável.

Na verdade, não é de hoje que a bandalheira corre solta na F1. Basta lembrar de episódios do passado, como as batidas intencionais de Senna e Prost, as malandragens de Schumi, o episódio entre Schumacher e Barrichello na Áustria, em 2002, e a sacanagem de Alonso com Hamilton (e vice-versa) em 2007. A diferença, porém, é que esses episódios eram escancarados, estavam lá pra todo mundo ver, e poderiam ser debitados na conta da intensa competitividade que marca o esporte. O Nelsongate foi uma trapaça no sentido clássico do termo, feita por debaixo dos panos e que poderia inclusive ter mudado a história do campeonato do ano passado se a Ferrari não tivesse feito merda com Felipe Massa naquela corrida.

Para piorar as coisas, a FIA resolveu aceitar a inscrição de equipes suspeitíssimas, controladas por grupos ainda mais suspeitos (veja aqui e aqui), dando a maior pinta de que vão aproveitar o automobilismo para lavar dinheiro sujo. Ou seja, a coisa vai de mal a pior.

Piquetzinho e Briatore muito provavelmente encerraram suas carreiras na F1; resta saber até quando iremos esperar pelo próximo escândalo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Pode ir ao banheiro que você não vai perder nada

Sabe quando você abusa do refrigerante no cinema e depois do início do filme você fica se retorcendo na cadeira, morrendo de vontade de ir ao banheiro tirar água do joelho, mas tem medo de perder alguma cena importante? Seus problemas acabaram!

Alguém teve a idéia de criar o site RunPee.com (em inglês), que avisa a você quando é seguro sair da sala para dar aquela mijadinha sem correr o risco de perder alguma cena importante. O site apresenta uma lista de filmes (a maioria são filmes recentes, que estão em cartaz nos cinemas) e cada um tem seus momentos onde o espectador com a bexiga cheia pode se aliviar sem medo. No caso do filme mais recente de Harry Potter, por exemplo, há nada menos do que cinco chances de sair para urinar sem perder nada de importante. Já no caso de "O Sequestro do Metrô", com Denzel Washington e John Travolta, há apenas três chances de escapulir rumo ao WC.

Para quem sabe inglês e conhece os filmes citados, é uma brincadeira divertida ver o que o autor (ou autores) do site considera como "cenas desimportantes" dos filmes.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Beatlemania de volta?



Ontem, 09/09/09 (data interessante), a Beatlemania pôs as manguinhas de fora, com filas quilométricas para dois lançamentos relacionados aos Beatles: o jogo The Beatles - Rock Band (que é o mais recente da franquia Rock Band, sendo este inteiramente dedicado ao Fab Four), e toda a discografia oficial da banda em CD com novas remasterizações - para quem não sabe, a única edição em CD da discografia dos Beatles data de 1987 e muitos fãs a consideram insatisfatória em relação aos discos originais de vinil.

Como bom admirador da banda, eu já estou babando para adquirir os CDs (não tenho nenhum interesse no jogo), mas parece que o pacote completo vai custar os olhos da cara. Melhor ir comprando devagar.

Um dos grandes problemas ao se adquirir CDs remasterizados dos Beatles é a velha polêmica entre as versões em mono e em estéreo. Na época em que a banda gravou seus discos, a tecnologia para se gravar em estéreo não existia ou era excessivamente primitiva. Os próprios Beatles nunca deram muita bola para as versões em estéreo de seus discos; eles só supervisionavam a mixagem em mono. Quando a gravadora lançou as primeiras versões em CD, foram feitas novas mixagens em estéreo, e uma boa parcela dos fãs acha que essas mixagens são inferiores às versões em mono. Agora, parece que houve um cuidado maior com os novos lançamentos; parece que desde 2005 os discos vêm sendo remixados novamente em estéreo, num trabalho mais meticuloso e dedicado para manter o máximo de fidelidade ao som original.

Polêmica à parte, o pacote é apetitoso... e caro. Vai ter de ser adquirido aos pouquinhos.

Um espírito de porco perguntaria: "ah, por que você simplesmente não baixa as músicas em MP3 e queima tudo em CD"? Minha resposta: eu já fiz isso, mas o resultado final é insatisfatório; quando a gente gosta de uma banda, vale a pena ter os CDs originais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

1000 toneladas de marketing


Você já ouvir falar de Avatar, o novo filme de James Cameron (diretor de Titanic)? Não? Então me conta como foram suas férias em Marte. Avatar vem sendo martelado vigorosamente pelos estúdios Fox, usando a prodigiosa máquina de 1000 toneladas de marketing, cujo objetivo é tentar vender o filme como "imperdível" e assim tentar recuperar o custo da produção (algo acima de 200 milhões de dólares, segundo dizem alguns).

Mas o que é Avatar? Ao que parece, trata-se de um "épico de ficção científica" feito quase todo em CGI (animação computadorizada) que, assim nos prometem os magos do marketing, irá extrapolar todos os limites do realismo em animações geradas por computador.

O problema, para mim, é que o trailer disponível na rede me deixou assim... como direi?... não muito esperançoso. Não parece ser nada demais. A animação em CGI parece... animação em CGI. E o design dos alienígenas parece ter saído de algum filme da Disney - ou, como alguns maldosamente disseram, parece "uma reunião da família do Jar Jar Binks". Em resumo, parece que é muito barulho por nada. Mas as 1000 toneladas de marketing que ameaçam deslocar o planeta de sua órbita (marketing este que só deve aumentar até dezembro, quando o filme será lançado) tenta nos vender a idéia de que estamos diante de um impressionante evento cultural. Sei.

Veja o trailer e tire suas próprias conclusões.

(Em tempo: Não me escapa a ironia de que, ao repercutir no blog sobre o filme, eu me torno colaborador da máquina de 1000 toneladas de marketing, mas fazer o quê?)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

As pessoas normais

Eu havia prometido que iria escrever algo sobre algumas horas passadas na companhia das pessoas "normais". E fiquei adiando essa tarefa porque eu não queria escrever algo que pudesse soar esnobe ou condescendente. Ainda estou em busca das palavras certas, mas o texto sairá em breve.

Vagabundagem chegando ao fim

Como tudo o que é bom na vida, as férias também acabam logo. E terei de retornar à tediosa rotina dos dias sem fim, ouvindo as mesmas velhas piadas e fazendo os mesmos velhos serviços de sempre.

Balanço final das férias? Um gosto de amargura, um número insuficiente de horas dedicadas ao meu hobby, uma sensação de solidão extrema. Nada com o que eu já não esteja acostumado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

26 coisas que você aprende nos filmes

Para desanuviar o clima pesado dos últimos posts, segue uma lista das 26 coisas que você aprende nos filmes:

1. Grandes apartamentos (do tipo loft) na cidade de Nova York são acessíveis para a maioria das pessoas, empregadas ou não.

2. Quando se trata de gêmeos idênticos, pelo menos um dos irmãos é mau.

3. Se você precisar desativar uma bomba, não se preocupe com o fio que deve cortar. Você sempre vai escolher o fio certo.

4. A maioria dos laptops são poderosos o bastante para tomar o controle de sistemas de comunicação de sociedades alienígenas invasoras.

5. Não importa que você esteja em considerável desvantagem numa luta envolvendo artes marciais - seus inimigos vão esperar, pacientemente, pelo seu ataque, um por um, dançando ao seu redor ameaçadoramente enquanto você derruba seus predecessores.

6. Quando você apaga as luzes para dormir, tudo no seu quarto vai continuar claramente visível, apenas um pouco azulado.

7. Se você é loira e bonita, é possível se tornar uma especialista em fissão nuclear aos 22 anos.

8. Policiais honestos e trabalhadores tradicionalmente são baleados três dias antes da aposentadoria.

9. Ao invés de desperdiçar balas, megalomaníacos preferem matar seus arquinimigos usando complicados mecanismos envolvendo fusíveis, sistemas de polias, gases mortais, lasers e tubarões comedores de gente, o que dará ao prisioneiro pelo menos 20 minutos para escapar.

10. Durante qualquer investigação policial é necessária pelo menos uma visita a um clube de strip.

11. Toda cama tem lençóis em formato de L, que cobrem a mulher até a altura dos seios, mas apenas até a cintura do homem deitado ao lado dela.

12. Toda sacola de padaria tem, pelo menos, uma baguete.

13. É fácil para qualquer um pousar um avião, desde que tenha alguém na torre de controle passando as informações.

14. Uma vez aplicado, o batom não sai mais da boca, nem durante um mergulho.

15. É muito provável que você sobreviva a uma batalha em qualquer guerra, desde que você não cometa o erro de mostrar a foto da sua namorada para alguém.

16. Quando estão sozinhos, todos os militares estrangeiros preferem falar em inglês.

17. A Torre Eiffel pode ser vista de toda janela em Paris.

18. Um homem não vai demonstrar nenhuma dor enquanto leva a maior surra, mas vai choramingar quando uma mulher tentar limpar os ferimentos.

19. Se uma grande janela de vidro está visível, logo alguém será atirado contra ela.

20. Se você estiver numa casa mal assombrada, mulheres devem investigar qualquer ruido estranho usando sua lingerie mais reveladora.

21. Processadores de texto nunca mostram um cursor na tela, mas sempre mostrarão: "Digite sua senha".

22. Mesmo quando dirigir numa rodovia perfeitamente reta, é necessário virar o volante vigorosamente da direita para a esquerda em algum momento. Os pneus vão aderir a qualquer superfície, em qualquer velocidade.

23. Toda bomba é equipada com cronômetros eletrônicos de grandes visores vermelhos para você saber exatamente o momento em que vai explodir.

24. Um detetive só pode solucionar um caso depois de ser suspenso.

25. Se você decidir começar a dançar na rua, todo mundo que você encontrar vai saber todos os passos.

26. Departamentos de polícia aplicam testes de personalidade nos oficiais para ter certeza de designar parceiros totalmente opostos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pequenas mudanças

Algumas pequenas mudanças no visual do blog. Perdi todos os comentários anteriores (os que eram do haloscan), mas não faz muita diferença, pois eram poucos. Mas o link para comentar está em todos os posts, então meus dois leitores certamente me concederão a honra de comentar estas bobagens que escrevo, nem que seja para dizer o quanto elas são soporíferas.

Esse músculo chamado amor

É engraçado como essas coisas acontecem. Primeiro, cria-se uma expectativa que, ao ser vista retrospectivamente, prova ser apenas risível ou demasiadamente sonhadora. Depois, já com os dois pés no chão, vem a série de autorrecriminações e aquela leve sensação de desconforto: é tanto o incômodo de se ver novamente num deserto quanto o de se perceber que todas as esperanças foram em vão.

Claro, eu poderia ter sido mais realista - e minha idade praticamente exige isso -, bem como poderia ter sido mais desconfiado. No fim das contas, lição aprendida. Um pouco tardiamente, é certo, mas nada que não se possa remendar com algumas reflexões serenas - tal é a vantagem da experiência adquirida.

O que faço agora? Bem, continuo parado na estação enevoada, observando acima de mim o velho relógio com o mostrador empoeirado, o relógio que marca o horário do próximo trem rumo à Transilvânia.



















Segue um poema extraído do meu terceiro livro, "Ceia das Cinzas":

flechas ao meu redor - é meu estar-só
construindo catedrais de fel
todos passam com olhares baços
e esperanças presas em suas jóias
faz sentido minha luz macia
conduzindo o apagar de sóis-amores
respondo às flechas com pequenas dores
que aliviam mais do que enfermam

tirante o adormecer de meu demônio protetor
e as duas ou três pupilas que me acolheram
sou fogueira isolada em mata escura
queimando a si mesma com orgulho e furor
amanhã é o mesmo dia como hoje
e não me trarão coroas de rosas
estarei pronto para o corte mais concreto
desse músculo chamado amor

domingo, 30 de agosto de 2009

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra

O que fervilhava na panela não demonstrou ser um cozido intragável, mas também não foi um delicioso alimento - como eu suspeitava que não seria. De qualquer forma, os prejuízos foram reduzidos ao mínimo e deixaram apenas um leve gosto amargo. Isto não é um consolo, obviamente, mas agora, passada a expectativa inicial, eu posso até dar risada do quanto eu inflei artificialmente certos sentimentos.

Agora as águas se acalmam e tudo volta a uma certa rotina modorrenta e um tanto quanto desagradável. Em breve falarei sobre dois dias passados na companhia das pessoas "normais", mas ainda não.

Deixo-os com mais uma tirinha do Perry Bible Fellowship.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ainda obscuro

Sim, as coisas permanecem crepitantes e obscuras. O rumo que as coisas tomam não me é inteiramente favorável, mas isso terá de ser observado de perto para que seja feita alguma constatação. A observação deve ocorrer hoje à noite, então logo terei material para desfiar aqui meu rosário de misérias ou para me regozijar com minha boa sorte. Mais não posso dizer, e não pretendo.

Como sou pessimista por natureza, não acredito que a coisa vá evoluir do jeito que eu quero hoje. Talvez eu devesse acreditar. Dizem que para se conseguir algo é preciso antes acreditar que esse algo será conseguido. Para mim, porém, tudo é fruto do acaso e da coincidência. Meu desejo pode coincidir ou não com a coisa concreta, que ocorre independente dele. Por isso eu não aposto todas as minhas fichas numa "crença". Prefiro observar de longe. Para depois rir ou lamentar, conforme o resultado - que sempre estará fora do alcance do meu desejo ou da minha crença.

Tal é a natureza da armadura que eu criei para mim e a qual visto com garbo e elegância. Ou gosto de pensar assim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Não-post

Acho que eu escrevi, há alguns posts atrás, que não iria escrever sobre coisas tristes quando estivesse de mau humor, porque a coisa toda acaba descambando para uma auto-piedade patética. Então, para honrar a minha palavra e poupar meus dois leitores e meio de um post terrível, nada escreverei sobre tal assunto. Deixo-os, porém, com uma mensagem motivacional que muito vem a calhar neste instante:


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Férias

Estou em Natal para alguns dias de férias. Há algo crepitando no ar, mas isto não significa que haja de fato algo no ar. Essas coisas são difíceis de determinar e eu, acostumado com os vazios, não me deixo conduzir por sensações que eu não domino.

Sei que esta anotação está demasiadamente críptica, mas a clareza, normalmente uma qualidade, tornar-se-ia um defeito caso eu decidisse usá-la neste momento. É que certas coisas não devem ser ditas ou tornadas manifestas, pois a possibilidade de um engano ou um erro apenas me faria parecer um tolo sonhador.

Portanto, deixemos que as coisas sigam seu rumo natural e o que tiver de ser, será. Se o que está fervendo na panela chegar a bom termo, eu serei menos elíptico em outros textos sobre o assunto.

Retomada

Retomando o blog, que por muito tempo ficou parado, numa nova tentativa de manter este espaço atualizado. (Provavelmente é uma tentativa sem muita chance de êxito, mas não custa nada tentar.) Para tanto, segue um pequeno texto que pode servir como símbolo de muita coisa:

-----------------------------------------

TEMPO

Este é o limite, o âmago e o ápice das palavras liquefeitas. Movimento-me como sombra, deslizo debaixo das portas, escrevo noites insones debaixo de um cobertor. Lá fora os carros sibilam como cascavéis, meus olhos acompanham a tênue linha do horizonte, que se dissolve na manhã de um sol pesado, lazarento. Eu caminho entre os mortos e com eles me pareço, desço a escadaria do juízo com sete pedras na mão. As horas passam como um cortejo fúnebre, primeiro os segundos, depois os minutos, caminhando lentamente entre fileiras de coqueiros cujas palhas refletem as luzes de um amanhecer calado. Tive compromissos, esqueci-os, cavalguei na onda de um sono inquieto, meu corpo pesado se remexe com vagar, quero não precisar sumir, não ter de desistir. Há uma longa língua de fogo a me chicotear, tampo os ouvidos, não estou aqui, não quero estar aqui. Aos poucos as palavras se tornam um borrão, confundem-se com a palha dos coqueiros, com os carros-cascavéis, com a procissão do tempo encapsulado num vidro redondo que carrego em meu pulso. Afiarei a faca do silêncio acerbo, nada ouvirei dos gritos, de minha boca cansada nenhum som sairá. Matarei a todos com um golpe elegante, um corte, uma fissura no tempo, este sono que não termina jamais, um compromisso com o desprezo, com as águas onde afundo devagar. Há os que me alimentam, fornecem-me abrigo, mas recuso o teto e a comida, tal qual um cão cujo dono o abandonou. Apenas me deito no umbral do tempo, espiando a eternidade com olhos desinteressados, esperando o momento de saltar para o grande vazio. As palavras vão se pondo como o sol, apagando seu brilho costumeiro, recolhendo a luz como um pastor recolhe o gado. A nada mais pertenço, pessoas nada representam, manhã de fogo intimorato, noite de vaga-lumes cegos. Evoé, bacantes, diria eu, mas as bacantes dormem o sono que eu não tenho. Deslizo por baixo das portas, rumo a um pálido horizonte, roçando nas palhas dos coqueiros, cruzando o umbral do tempo, mastigando as palavras liquefeitas.