Talvez o melhor momento da cerimônia do Oscar 2013. Sério mesmo.
Cerimônia do Oscar é tradicionalmente aquela coisa brega e
previsível, recheada de piadas sem graça por parte do apresentador da vez. A de
ontem não foi diferente.
Esperava-se humor ácido do comediante Seth MacFarlane, mas
ele foi devidamente domado e só conseguiu meia dúzia de piadas constrangedoras
no começo da cerimônia. À medida que a festa avançava, ele foi ficando cada vez
mais escondido. O que não é de surpreender, depois de um número musical tão “moleque-espinhento-de-12-anos”
como aquele dos peitos das atrizes.
Por falar em música, a cerimônia deste ano foi
particularmente dolorosa de ver pelo excesso de números musicais. Em certo
momento, parecia que eu estava vendo o Grammy e não o Oscar. A tentativa de
transformar um musical aguado como “Chicago” numa espécie de suprassumo da arte
dos musicais foi patética e só pode ser explicada pelo fato de que os
produtores da cerimônia também foram os criadores desse musical.
Mas nem tudo se perdeu; no meio da cafonice – ou talvez até
por causa dela – a homenagem de Barbra Streisand ao falecido compositor Marvin
Hamlisch soou autêntica, o que é notável num evento onde a falsidade corre
solta.
Em termos de premiação, a coisa toda foi previsível, com uma
ou outra surpresa para dar aquela apimentada. Nada como a gigantesca cara de
espanto de Jack Nicholson ao anunciar “Crash” como vencedor em 2006, claro.
Christoph Waltz ganhou como melhor ator coadjuvante,
desbancando o favorito Tommy Lee Jones, e talvez a única outra surpresa tenha
sido a escolha de “Valente” como melhor longa de animação ao invés do favorito “Detona
Ralph”. De resto, a premiação foi dentro do esperado, inclusive com o prêmio de
melhor filme para “Argo” e melhor ator para Daniel Day-Lewis.
“Argo” merecia ganhar? Provavelmente não – “Amour” e “Django
Livre” são filmes esteticamente superiores, mas “Argo” não faz feio como “Crash”
fez em 2006. E a única explicação para darem um Oscar a Jennifer Lawrence é que
Harvey Weinstein é uma das instituições mais poderosas do planeta, ao lado da
banca financeira internacional e da máfia italiana.
Mas, por um minuto, achei que minha aposta em “Argo” para
melhor filme estava comprometida; quando vi Michelle Obama na Casa Branca para
anunciar o vencedor, pensei: é “Lincoln”. Quando a vi cercada por um séquito de
empregados brancos, pensei: é “Django Livre”. A ironia teria sido interessante.


