quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Atenção senhores passageiros


Puta que pariu. Desculpem começar o post com um palavrão, mas essa foi a primeira coisa que me veio à mente depois de assistir a Vôo 93, dirigido por Paul Greengrass - que foi indicado ao Oscar de melhor diretor por esse filme.

Fácil entender o porquê da indicação. Vôo 93 é, fácil, fácil, um dos filmes mais bem dirigidos dos últimos tempos. O filme conta uma história dolorosa e ainda tabu para muitos americanos - a dos passageiros que lutaram contra os terroristas que seqüestraram um dos aviões em 11 de setembro de 2001, e que acabaram todos mortos quando o avião caiu na Pensilvânia, sem atingir o alvo pretendido pelos terroristas.

Greengrass foi extremamente hábil e inteligente para evitar duas potenciais armadilhas: o dramalhão e a patriotada. Sem carregar nas tintas, ele usa um estilo semi-documental, com utilização espartana de música, para mostrar as coisas aparentemente banais do começo daquele dia: passageiros conversando entre si, a preparação para a decolagem, o trabalho dos controladores de vôo. Até que o primeiro avião se choca contra uma das torres do World Trade Center. Greengrass mostra que os responsáveis pelo controle do tráfego aéreo americano bateram cabeça até entender o que estava acontecendo, e mostra que a decisão dos passageiros de tentar retomar o avião das mãos dos seqüestradores não foi um ato de heroísmo patriótico, mas sim uma luta desesperada por suas próprias vidas. Neste sentido, o filme segue num crescendo de tensão e nervosismo, e consegue fazer com que o espectador, mesmo sabendo o final da história, permaneça o tempo todo tenso e angustiado.

O uso de atores desconhecidos para interpretar os passageiros, e o fato de algumas pessoas que participaram dos eventos daquele dia estarem no filme interpretando a si mesmas reforça o caráter semi-documental e seco da narrativa, na qual nada parece sobrar ou estar em excesso. Um filme que dá um banho de inteligência e perspicácia no formulaico World Trade Center, dirigido por Oliver Stone, e que escorrega no tom excessivamente reverente.

Em resumo, puta que pariu. Assistam Vôo 93 e vejam uma aula sobre como dirigir um filme.

2 comentários:

Anônimo disse...

Realmente. Vôo 93 é um filme muito bem costurado, onde o objetivo é claro e isento de mistificação. Os personagens transitam com muita naturalidade como se aparecessem somente pela necessidade de composição do enredo. Em tudo se observa a mão firme do Diretor que procura se distanciar do rídiculo sentimentalismo que costuma envolver filmes que abordam temas catástroficos.

Anônimo disse...

Obrigado pela dica, Alechandre. Gostei muito do filme. Hoje pretendo ir ao cinema para ver 'Cartas de Iwo Jima' e, até o final de semana, quero ver 'Pequena Miss Sunshine'. Depois disso eu acredito que já poderei avacalhar ou aplaudir alguns dos resultados do Oscar. Era isso. Abração!