segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pequenas mudanças

Algumas pequenas mudanças no visual do blog. Perdi todos os comentários anteriores (os que eram do haloscan), mas não faz muita diferença, pois eram poucos. Mas o link para comentar está em todos os posts, então meus dois leitores certamente me concederão a honra de comentar estas bobagens que escrevo, nem que seja para dizer o quanto elas são soporíferas.

Esse músculo chamado amor

É engraçado como essas coisas acontecem. Primeiro, cria-se uma expectativa que, ao ser vista retrospectivamente, prova ser apenas risível ou demasiadamente sonhadora. Depois, já com os dois pés no chão, vem a série de autorrecriminações e aquela leve sensação de desconforto: é tanto o incômodo de se ver novamente num deserto quanto o de se perceber que todas as esperanças foram em vão.

Claro, eu poderia ter sido mais realista - e minha idade praticamente exige isso -, bem como poderia ter sido mais desconfiado. No fim das contas, lição aprendida. Um pouco tardiamente, é certo, mas nada que não se possa remendar com algumas reflexões serenas - tal é a vantagem da experiência adquirida.

O que faço agora? Bem, continuo parado na estação enevoada, observando acima de mim o velho relógio com o mostrador empoeirado, o relógio que marca o horário do próximo trem rumo à Transilvânia.



















Segue um poema extraído do meu terceiro livro, "Ceia das Cinzas":

flechas ao meu redor - é meu estar-só
construindo catedrais de fel
todos passam com olhares baços
e esperanças presas em suas jóias
faz sentido minha luz macia
conduzindo o apagar de sóis-amores
respondo às flechas com pequenas dores
que aliviam mais do que enfermam

tirante o adormecer de meu demônio protetor
e as duas ou três pupilas que me acolheram
sou fogueira isolada em mata escura
queimando a si mesma com orgulho e furor
amanhã é o mesmo dia como hoje
e não me trarão coroas de rosas
estarei pronto para o corte mais concreto
desse músculo chamado amor

domingo, 30 de agosto de 2009

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra

O que fervilhava na panela não demonstrou ser um cozido intragável, mas também não foi um delicioso alimento - como eu suspeitava que não seria. De qualquer forma, os prejuízos foram reduzidos ao mínimo e deixaram apenas um leve gosto amargo. Isto não é um consolo, obviamente, mas agora, passada a expectativa inicial, eu posso até dar risada do quanto eu inflei artificialmente certos sentimentos.

Agora as águas se acalmam e tudo volta a uma certa rotina modorrenta e um tanto quanto desagradável. Em breve falarei sobre dois dias passados na companhia das pessoas "normais", mas ainda não.

Deixo-os com mais uma tirinha do Perry Bible Fellowship.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ainda obscuro

Sim, as coisas permanecem crepitantes e obscuras. O rumo que as coisas tomam não me é inteiramente favorável, mas isso terá de ser observado de perto para que seja feita alguma constatação. A observação deve ocorrer hoje à noite, então logo terei material para desfiar aqui meu rosário de misérias ou para me regozijar com minha boa sorte. Mais não posso dizer, e não pretendo.

Como sou pessimista por natureza, não acredito que a coisa vá evoluir do jeito que eu quero hoje. Talvez eu devesse acreditar. Dizem que para se conseguir algo é preciso antes acreditar que esse algo será conseguido. Para mim, porém, tudo é fruto do acaso e da coincidência. Meu desejo pode coincidir ou não com a coisa concreta, que ocorre independente dele. Por isso eu não aposto todas as minhas fichas numa "crença". Prefiro observar de longe. Para depois rir ou lamentar, conforme o resultado - que sempre estará fora do alcance do meu desejo ou da minha crença.

Tal é a natureza da armadura que eu criei para mim e a qual visto com garbo e elegância. Ou gosto de pensar assim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Não-post

Acho que eu escrevi, há alguns posts atrás, que não iria escrever sobre coisas tristes quando estivesse de mau humor, porque a coisa toda acaba descambando para uma auto-piedade patética. Então, para honrar a minha palavra e poupar meus dois leitores e meio de um post terrível, nada escreverei sobre tal assunto. Deixo-os, porém, com uma mensagem motivacional que muito vem a calhar neste instante:


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Férias

Estou em Natal para alguns dias de férias. Há algo crepitando no ar, mas isto não significa que haja de fato algo no ar. Essas coisas são difíceis de determinar e eu, acostumado com os vazios, não me deixo conduzir por sensações que eu não domino.

Sei que esta anotação está demasiadamente críptica, mas a clareza, normalmente uma qualidade, tornar-se-ia um defeito caso eu decidisse usá-la neste momento. É que certas coisas não devem ser ditas ou tornadas manifestas, pois a possibilidade de um engano ou um erro apenas me faria parecer um tolo sonhador.

Portanto, deixemos que as coisas sigam seu rumo natural e o que tiver de ser, será. Se o que está fervendo na panela chegar a bom termo, eu serei menos elíptico em outros textos sobre o assunto.

Retomada

Retomando o blog, que por muito tempo ficou parado, numa nova tentativa de manter este espaço atualizado. (Provavelmente é uma tentativa sem muita chance de êxito, mas não custa nada tentar.) Para tanto, segue um pequeno texto que pode servir como símbolo de muita coisa:

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TEMPO

Este é o limite, o âmago e o ápice das palavras liquefeitas. Movimento-me como sombra, deslizo debaixo das portas, escrevo noites insones debaixo de um cobertor. Lá fora os carros sibilam como cascavéis, meus olhos acompanham a tênue linha do horizonte, que se dissolve na manhã de um sol pesado, lazarento. Eu caminho entre os mortos e com eles me pareço, desço a escadaria do juízo com sete pedras na mão. As horas passam como um cortejo fúnebre, primeiro os segundos, depois os minutos, caminhando lentamente entre fileiras de coqueiros cujas palhas refletem as luzes de um amanhecer calado. Tive compromissos, esqueci-os, cavalguei na onda de um sono inquieto, meu corpo pesado se remexe com vagar, quero não precisar sumir, não ter de desistir. Há uma longa língua de fogo a me chicotear, tampo os ouvidos, não estou aqui, não quero estar aqui. Aos poucos as palavras se tornam um borrão, confundem-se com a palha dos coqueiros, com os carros-cascavéis, com a procissão do tempo encapsulado num vidro redondo que carrego em meu pulso. Afiarei a faca do silêncio acerbo, nada ouvirei dos gritos, de minha boca cansada nenhum som sairá. Matarei a todos com um golpe elegante, um corte, uma fissura no tempo, este sono que não termina jamais, um compromisso com o desprezo, com as águas onde afundo devagar. Há os que me alimentam, fornecem-me abrigo, mas recuso o teto e a comida, tal qual um cão cujo dono o abandonou. Apenas me deito no umbral do tempo, espiando a eternidade com olhos desinteressados, esperando o momento de saltar para o grande vazio. As palavras vão se pondo como o sol, apagando seu brilho costumeiro, recolhendo a luz como um pastor recolhe o gado. A nada mais pertenço, pessoas nada representam, manhã de fogo intimorato, noite de vaga-lumes cegos. Evoé, bacantes, diria eu, mas as bacantes dormem o sono que eu não tenho. Deslizo por baixo das portas, rumo a um pálido horizonte, roçando nas palhas dos coqueiros, cruzando o umbral do tempo, mastigando as palavras liquefeitas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Melhor trailer de videogame em todos os tempos

Esse me deixou arrepiado. Talvez porque os dois primeiros jogos da série Fallout tenham sido excelentes, mas o fato é que este trailer de Fallout 3 é uma pequena obra-prima. Se o jogo for tão bom quanto parece, temos um novo clássico. 


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

The next big thing... será?

Só o tédio das férias para me fazer postar de novo no blog. (O tédio fora das férias me faz fazer coisas mais interessantes).

Parece que a mídia anda incensando uma tal de Mallu Magalhães, garota de 16 anos que vem sendo considerada uma "cantora revelação". Aí eu fui ver o porquê da barulheira e assisti no youtube o clip da música dela, uma tal de Tchubaruba.

Bom, cantora propriamente falando ela não é. Tem uma vozinha frágil, que se adequa ao tipo de música que ela faz. E a música propriamente dita não é nada demais, um folkzinho anódino que não fede nem cheira - é, quando muito, "bonitinha". Dá pra sacar que ela passou muitas tardes depois da aula ouvindo a discografia completa do Belle and Sebastian.

Acho que a razão da barulheira é que a menina "estourou", digamos assim, na internet, sem contrato com gravadora nem aparição no Domingão do Faustão. Ela simplesmente postou as musiquinhas dela em algum site e fez sucesso entre os internautas - um sinal dos novos tempos.

Claro, agora que ela faz sucesso, já tem clip "oficial" e parceria com Marcelo Camelo, dos finados Los Hermanos. Só falta ser incluída na trilha sonora de Malhação. Ou será que já foi?

É legal ver alguém surgir do nada, sem esquema de gravadora por trás. Não é legal quando a mídia faz a gente crer que a menina é realmente talentosa - ela precisa comer muito feijão com arroz pra isso.

Volto em breve.

domingo, 27 de julho de 2008

Sinal de vida

Um postzinho rápido só pra dar sinal de vida. Uma coisa que eu descobri é que só devo postar coisas tristes quando estiver de bom humor, porque senão fica aquela coisa choraminguenta, repleta de auto-piedade.

Então, como hoje estou me sentindo particularmente azedo, não vou escrever nada sobre isso. Deixo-os apenas com mais uma tirinha do Perry Bible Fellowship.

domingo, 20 de julho de 2008

O Morcego Sombrio e o Palhaço do Caos


Finalmente arrumei um cinema onde não houvesse filas quilométricas para assistir ao mais novo filme do Batman, "O Cavaleiro das Trevas".

E posso dizer que é o melhor filme de super-herói que eu já vi. Christopher Nolan, o diretor, pegou o clima realista e "pé no chão" do primeiro (Batman Begins) e o amplificou à enésima potência. Lá pelas tantas, eu esqueci que estava vendo um filme cujo personagem principal é um sujeito que veste uma roupa de morcego; há todos os elementos de um bom thriller policial no filme de Nolan e as duas horas e meia passam voando.

Quem espera um filme tradicional de super-herói, com montes de efeitos especiais e piruetas malucas, pode esquecer. Nolan mergulha ainda mais no caráter sombrio do Batman, trocando as piadas fáceis por densidade psicológica - é quase um filme de super-herói para adultos, a despeito da idade mínima ser 12 anos. Batman aparece aqui como um sujeito atormentado e no limite da insanidade, dividido entre ser o herói que Gotham City precisa e tentar ter uma vida normal, passando o cetro para outros tipos de herói, como o promotor Harvey Dent, que move uma cruzada contra os mafiosos de Gotham. Mafiosos esses que, em certo momento, acabam por recorrer aos préstimos de um novo e perigoso maníaco - o Coringa.

Com toda a comoção causada pela morte prematura do intérprete do Coringa, o ator Heath Ledger (este foi seu último filme), parece que elogiar a interpretação dele é quase uma questão de noblesse oblige - não se deve falar mal dos mortos. Mas Heath não precisa disso - seu Coringa é o melhor vilão do cinema nos últimos tempos e sua interpretação é verdadeiramente vulcânica. Como o próprio personagem diz a certa altura, ele é um agente do caos - e é isso o que o torna assustador, um punk psicótico cujo único objetivo é causar morte, anarquia e destruição. Ledger imprime essas características ao personagem numa composição cuidadosa, desde a voz até o jeito de andar e a maneira de olhar. Não é à toa que estão falando em Oscar póstumo para o ator.

Isto não quer dizer que ele necessariamente rouba a cena do Batman ou dos demais personagens - Nolan tem extremo cuidado em fazer com que todos os envolvidos na trama deixem sua marca, e nenhuma é mais trágica do que a do promotor Harvey Dent, que ao longo do filme se transforma de paladino da justiça em um homem torturado e à procura de vingança.

Claro que há as cenas de ação, os momentos de adrenalina, mas eles nunca estão lá para roubar o foco principal, que é nos personagens, seja o angustiado Tenente Gordon (que acaba virando o Comissário Gordon), seja Rachel Dawes, que se divide entre o amor por Harvey Dent e a velha paixão por Bruce Wayne - aliás, um bom trabalho de Maggie Gyllenhaal, substituindo a insossa sra. Tom Cruise, Katie Holmes - que era o ponto fraco do primeiro filme.

Como para reafirmar o foco escolhido pelo diretor, as cenas mais antológicas não são as cenas de ação frenéticas, e sim os embates tensos entre os personagens. Basta ver a cena em que o Batman interroga o Coringa na sala de uma delegacia para se perceber que estamos diante de um filme de heróis completamente atípico.

É um filme denso, realista (na medida em que pode ser realista um filme sobre um cara que se veste de morcego), sombrio - e é um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Silêncio

Estou quieto. Lá fora os carros passam depressa, zumbindo. A tela do computador me olha como um enigma. "Decifra-me ou te devoro." Meus olhos vazios fitam o tempo, a noite é cega.

Estou só. Apenas o ruído do ventilador às minhas costas. Nenhuma palavra. Nenhuma voz humana. Minha barba de uma semana coça. Ontem eu matei uma barata. As bitucas de cigarro se acumulam no cinzeiro.

Estou quieto e sozinho. Meu olhar se perde no escuro do céu entre os prédios. Isto deveria ser vida, mas não é. Ainda não sei o que procuro. Não sei o que desejo. E ao me olhar no espelho, rio de mim mesmo, pois estou muito velho para ter dúvidas. Agora que o tempo escava valas profundas em minha pele, agora que tenho contas a pagar, tenho também dúvidas. É patético. É risível.

Mas as dúvidas serão dirimidas, eu sei. Vislumbro ao longe as montanhas da Transilvânia. Não quero voltar para lá. Quero apenas ficar aqui, quieto, vendo a fina fumaça do cigarro subir ao teto. E quero acabar com as dúvidas e voltar ao que eu tinha antes.

Mas escuto a voz do condutor: "Última chamada para o trem que parte para a Transilvânia! Última chamada!"

Os carros zumbem na rua. Ontem uma barata morreu aqui. Olho-me no espelho, hora de fazer a barba. Hora de decidir. Lentamente, caminho até a marca do pênalti e ajeito a bola com cuidado. "Última chamada..." Tomo distância para o chute.

O cigarro acabou.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Angústia. Ou azia.

Sinto-me obnubilado, tomado por uma vaga angústia que não sei explicar de onde vem. Caminho entre os vivos como se morto eu fosse, observando-os com um misto de penúria e distância. As palavras dos vivos parecem longínquas, como se viessem de um abismo muito profundo, semelhantes à voz de John Lennon em “Tomorrow Never Knows”.

Mas não há nada aqui, nada que me incomode de verdade, nada que me faça desejar a ausência. Apenas me sinto como chumbo, pesado e cinza. (Bom, magro eu não sou, isto é um fato.)
Vai ver que é apenas azia. Um sal de frutas talvez resolva. Uma longa noite de sono (que eu não terei hoje) também poderia resolver.

É que tudo isto parece pequeno, um calabouço, um confinamento. É uma angústia kafkiana, se assim quisermos dizer, pois não possui sentido ou lógica. Simplesmente acontece, como a digestão – estou dizendo, talvez seja azia.

Meu chefe dorme sentado em uma cadeira e ronca como um motor de popa mal regulado. Meus colegas coçam o saco de maneiras diferentes, todos à espera do fim do expediente, horas que não passam, tarde que não termina, vida que não se acaba. Eu escrevo este texto com um bloco de cimento no lugar do coração e este maldito e indefinível incômodo na alma. Um sal de frutas haverá de resolver. Tem de resolver. Por favor.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Poeminha

E lá vou eu quebrar uma regra não escrita deste blog: a de nunca publicar poemas meus aqui. Mas acho que não tem problema, este é tão ruinzinho que não vai fazer diferença, é só pra eu movimentar um pouco este espaço. Lá vai:

esta caçada inútil
este resfolegar sem nexo
como um animal acuado
eu me encolho à espera
do momento mais nítido
em que eu possa lutar
a noite flutua em meu copo
eu me deito como quem morre
e desperto - eis-me tão só
a caçada me leva ao abismo
e o abismo me leva a mim mesmo

A Máquina


Caiu-me nas mãos hoje um livrinho bem interessante, chamado "A Máquina - Michael Schumacher, o Melhor de Todos os Tempos", escrito pela jornalista Alicia Klein. Como fã do alemão, eu não poderia deixar passar barato.

Considero o livro assombroso por duas razões: primeiro, por ser uma peça de propaganda explícita do Schumacher em plena Terra Brasilis, onde, como sabemos, Ayrton Senna é venerado e tido como uma espécie de segunda encarnação de Cristo; e, em segundo lugar, por ter sido escrito por uma... brasileira?

Pois é, machismos à parte, quando é que se poderia imaginar encontrar uma brasileira que gosta de Fórmula 1 e ainda por cima é fã do Schumacher? Avis rara, diria eu.

Claro que o livro tem lá suas limitações como biografia, e não poderia ser diferente: nascido de um trabalho de conclusão do curso de jornalismo, falta-lhe a substância e o peso que só poderiam ser adicionados com entrevistas pessoais com as figuras envolvidas na história do alemão, a começar por ele próprio. Faltam algumas histórias saborosas de bastidores, que devem existir mas às quais a jovem autora, compreensivelmente, não tem acesso.

Isso não lhe tira o mérito de dar uma visão abrangente sobre a carreira de Schumacher, e, ainda por cima, ser uma leitura agradável, mesmo que baseada em fontes de segunda mão.

Ou seja, quem é fã de Fórmula 1 vai ao menos se divertir com o livro. Isso se não for um daqueles xiitas do Senna, para os quais o piloto brasileiro está sentado à direita de deus pai.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O R.E.M. está de volta (e eu também)

Lá se vai quase um ano desde que atualizei o blog pela última vez, nem vale a pena falar no assunto da minha inconstância aqui. De qualquer forma, o retorno se deve a dois fatores: um email do meu pai, pedindo que eu escrevesse algo sobre "Tropa de Elite", o filme e o retorno do R.E.M. em grande estilo - eu simplesmente não resisti e tive que postar aqui.

O post sobre Tropa de Elite fica pra depois (sorry, dad!), mas o retorno do R.E.M. é boa nova, especialmente porque a música nova, "Supernatural Superserious", é boa pra caralho. Quando Michael Stipe começa "Everybody here..." e entra o riff de guitarra, imediatamente você percebe que a banda tomou uma injeção de adrenalina e chutou pra longe a bundamolice do último disco deles.

Vai um link para o clipe da música no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=_We6ubpUHZs

Bem-vindo de volta, R.E.M.

(Ah, detalhe bizarro: o Michael Stipe está ficando a cara do Renato Aragão...)

Depois eu volto.

terça-feira, 3 de abril de 2007

300

This is Spaaaartaaaaa!!!!

Sério, "300" é um inesperado sucesso de bilheteria. O filme de Zack Snyder que conta a história da batalha das Termópilas, entre gregos e persas, parece estar arrastando multidões ao cinema. O que para mim é uma surpresa, por três motivos: 1) o filme se baseia numa HQ de Frank Miller que quase ninguém leu, exceto meia dúzia de fanáticos por HQs; 2) ele não tem sido propagandeado pelos exibidores como um típico blockbuster; e 3) épicos sobre a Antigüidade clássica perderam a força desde que "Tróia" e "Alexandre" naufragaram nas bilheterias.

Então o que explica o sucesso? Vou arriscar apontar dois fatores:

- estética de videoclipe (ou de videogame), muita porradaria, sangue esguichando e cabeças cortadas fazem a festa dos adolescentes;

- a altíssima voltagem homoerótica do filme, que pode ser um gancho para uma enorme invasão gay nas salas de projeção.

Bom, eu vi o filme e tenho que dizer que achei muito divertido, embora eu não seja mais adolescente e tampouco seja gay. Com todo aquele papo de cenários virtuais e fidelidade canina ao material original de Frank Miller eu tive medo que o filme resultasse em algo excessivamente teatral e artificial. Teatral ele é - "This is Spaaaartaaaaa!" - mas o diretor Snyder conseguiu evitar a armadilha do cenário virtual ("olha, tudo foi feito no computador") com o uso de uma fotografia saturada, habilmente desviando a atenção do espectador para as espetaculares cenas de batalha, meticulosamente coreografadas.

Snyder usa e abusa de recursos como câmera lenta e acelerada, pausa no movimento, rápidos giros de câmera e por aí vai, e a trilha sonora com guitarras heavy metal troando deixa tudo com cara de videoclipe, mas um videoclipe muito bem feito.

É claro que o roteiro se desvia totalmente da realidade histórica para incluir inimigos monstruosos, um corcunda deformado que trai os espartanos, um Conselho formado por sábios que parecem o Imperador de "Guerra nas Estrelas" e Rodrigo Santoro no papel de uma versão gigante de RuPaul. Todos estes excessos e maluquices, por incrível que pareça, funcionam a favor do filme e não contra ele. Pretender realismo histórico de um filme com um traveco gigante e guitarras heavy metal é atentar contra o bom senso.

Dito isto, algumas coisas não podem deixar de ser observadas: o filme coloca os espartanos como defensores da justiça e da liberdade, quando na verdade faz propaganda de uma sociedade explicitamente fascista, na qual imperam a eugenia e o totalitarismo do Estado. Além disso, os persas são tratados como inimigos orientais monstruosos e quase terroristas que jogam sujo o tempo inteiro contra a raça branca superior. E o roteiro teve de esticar a história jogando uma trama paralela dispensável envolvendo a rainha Gorgo, de Esparta, que praticamente não aparece na HQ de Miller.

Mas não vale a pena fazer ilações políticas num filme que só tem a pretensão de divertir. E isso ele consegue, com um apuro visual esplendoroso - o contorcionismo flutuante da jovem Oráculo, a belíssima luta entre um lobo (lobo?) e o jovem rei Leônidas, a chuva de flechas que escurece o dia... Momentos de inegável força imagética.

Ah, e quanto ao elemento homoerótico... aposto que este filme vai virar hit na comunidade gay, tamanha a profusão de homens musculosos e suados vestindo apenas uma sunguinha de couro... Se o Village People ainda existisse, não duvido que incorporariam mais um membro (opa!), um espartano mucho macho rebolando e cantando "YMCA"...

quarta-feira, 21 de março de 2007

I'm baaaaaack!

Aaaah, socorro, já estou esquecendo de novo de postar no blog! Mas voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar.

Putz, estou péssimo hoje. Preciso afiar a lâmina, recuperar a verve, botar a cabeça para fora do grande rebanho, senão serei apenas mais um. (Ok, eu sou apenas mais um, mas vamos fingir que não, hein?)

Dias de súbita folga porque está em curso, neste momento, a mudança de sede do local onde trabalho. Então tenho tempo de vadiar bastante, que é o que realmente importa na vida. Surpreendentemente, eu não atualizei o blog tanto quanto poderia nestes últimos dias.

Meu problema com este blog é de indefinição de gênero: não quero que ele seja algo tipo "meu querido diário" (hoje acordei, tomei café, soltei dois peidos etc.), mas também não acho que faça sentido transformá-lo num espaço de crônicas urbanas, por exemplo. (E, de mais a mais, não levo isto aqui a sério enquanto literatura, e nem poderia. São linhas muito mal traçadas e mal pensadas para poderem ter qualquer relevância artística. Acho hilariante quando certos blogueiros pensam que são escritores e transformam seus pensamentos comezinhos em livro. Muahahaha.)

Agora estou ouvindo Luna - "Slash Your Tires". Todo mundo devia ouvir, é maravilhoso. Deviam ouvir isso e não Babado Novo. Sim, eu sou esteticamente um nazista e acho que o meu gosto estético deveria, como o Terceiro Reich, durar mil anos e se impor sobre tudo e todos. Em breve vocês terão notícias minhas quando eu invadir a Polônia.

(E, por favor, não estraguem meus sonhos megalomaníacos dizendo que o Terceiro Reich acabou mal e que os aliados blá-blá-blá, não quero ouvir isso, não nesta manhã gloriosa de folga.)

Ah, a temporada 2007 da F-1 começou. Pra quem gosta, tem post novo no Cockpit.

Evoé, bacantes!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Bleh

Ha. O título do post diz tudo. Estou desanimado para escrever aqui ou para escrever qualquer coisa. Sem inspiração, sem assunto. As coisas seguem seu rumo sem grandes alterações ou novidades, dias amorfos.

Foda é que eu queria ter algo a dizer, fazer alguma diferença, ter alguma relevância. Caso contrário, sou apenas mais um corpo (quase dois, na verdade - hahaha, vejam como estou autodepreciativo hoje) ocupando espaço neste planeta já tão entupido de gente medíocre.

Na verdade, acho que acordei azedo porque dormi muito pouco. Mais uma coisa a se anotar mentalmente: quando você acordar azedo, não escreva no seu blog, não discuta a relação e não alimente os animais.

Agora vou-me. Não para a cama, infelizmente.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

E o Oscar vai para... (agora sim)

E a festa do Oscar, ontem, não teve grandes surpresas, já que Martin Scorsese finalmente saiu da fila e ganhou seu prêmio de melhor diretor. Dupla vitória num ano em que não havia francos favoritos, uma vez que "Os Infiltrados" ganhou também como melhor filme. Houve uma onda em torno de "Pequena Miss Sunshine" nos últimos dias, mas a Academia preferiu apostar no filme de Scorsese - o que, se não chega a ser uma surpresa, não deixa de ser um caso atípico, pois filmes policiais não costumam receber o Oscar.

Pra mim, houve apenas duas surpresas: a derrota de "Carros" na categoria melhor filme de animação (ninguém vai me convencer que "Happy Feet" é um filme melhor do que "Carros") e a escolha de "As Vidas dos Outros", filme alemão, como melhor filme estrangeiro, derrubando o favoritíssimo "O Labirinto do Fauno", do México. Dizem que o alemão é um filme excelente, mas o "Labirinto" parecia tão vencedor que sua derrota não deixou de ser espantosa, ainda mais se considerarmos que faturou outros 3 Oscars em categorias técnicas. Essa também foi uma péssima notícia para mim, que serei obrigado a comer os meus sapatos e as caixas dos meus CDs (quem leu meus posts sobre os indicados sabe do que estou falando).

Entre as principais categorias, tudo seguiu o script: Helen Mirren e Forest Whitaker confirmaram seus favoritismos como melhor atriz e ator, respectivamente, e "Os Infiltrados" e "Pequena Miss Sunshine" também eram barbadas para os prêmios de melhor roteiro original e roteiro adaptado, respectivamente. Entre os coadjuvantes, Jennifer Hudson ganhou como melhor atriz, o que era esperado, e Alan Arkin foi o melhor ator, desbancando o favorito Eddie Murphy. Não dá pra dizer que a vitória de Arkin foi uma surpresa, contudo, porque estas categorias de coadjuvante são sempre muito abertas e dadas a escolhas inusitadas.

No máximo, a derrota de Eddie Murphy só confirma o quanto a Academia esnobou o musical "Dreamgirls", que não conseguiu levar nem ao menos o Oscar de canção original - categoria na qual ele era considerado imbatível, até por ter três (!) músicas indicadas dentre as cinco que concorriam. A vontade de derrubar "Dreamgirls" parecia tão grande que deram o prêmio para uma canção de um documentário (!), fato raro. E esse documentário, "Uma Verdade Inconveniente", faturou o Oscar, confirmando o prestígio de Al Gore na comunidade de Hollywood. Se o sujeito quisesse anunciar ontem que era candidato à Presidência, como ele quase chegou a fazer numa brincadeira combinada com os organizadores da festa, já teria garantido os votos do pessoal que estava na platéia.

De resto, foi uma cerimônia cansativa, chata - como sempre costuma ser - e mais longa do que a dos últimos anos. Ellen DeGeneres foi uma apresentadora discreta, quase invisível.

Alguns momentos:

- a gritaria daquelas cantoras negras nas três músicas de "Dreamgirls", apresentada como um medley, fez com que eu agradecesse pela existência do botão MUDO no controle remoto. Acho inclusive que o Oscar talvez fosse para uma das músicas, mas todo mundo mudou de idéia na última hora, depois de ver aquele festival de gente com dor de barriga berrando descontroladamente;

- a cara de Peter O'Toole quando anunciaram a escolha de Forest Whitaker como melhor ator foi impagável. O inglês não parecia acreditar que tinha sido mais uma vez desprezado pela Academia - é a oitava vez que ele sai de mãos abanando, um recorde entre os atores.

- impagável também foi todo mundo fazendo cara de conteúdo enquanto Ennio Morricone agradecia seu Oscar honorário - em italiano. Clint Eastwood, ao lado dele, traduzia os agradecimentos, mas quando Morricone falava era muito engraçado ver as caras do pessoal fingindo que entendia - e alguns, como Ken Watanabe, com cara de "what the fuck?".

Olha a alegria do Scorsese, que finalmente teve seu talento de diretor reconhecido pelo Oscar