quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Melhor trailer de videogame em todos os tempos

Esse me deixou arrepiado. Talvez porque os dois primeiros jogos da série Fallout tenham sido excelentes, mas o fato é que este trailer de Fallout 3 é uma pequena obra-prima. Se o jogo for tão bom quanto parece, temos um novo clássico. 


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

The next big thing... será?

Só o tédio das férias para me fazer postar de novo no blog. (O tédio fora das férias me faz fazer coisas mais interessantes).

Parece que a mídia anda incensando uma tal de Mallu Magalhães, garota de 16 anos que vem sendo considerada uma "cantora revelação". Aí eu fui ver o porquê da barulheira e assisti no youtube o clip da música dela, uma tal de Tchubaruba.

Bom, cantora propriamente falando ela não é. Tem uma vozinha frágil, que se adequa ao tipo de música que ela faz. E a música propriamente dita não é nada demais, um folkzinho anódino que não fede nem cheira - é, quando muito, "bonitinha". Dá pra sacar que ela passou muitas tardes depois da aula ouvindo a discografia completa do Belle and Sebastian.

Acho que a razão da barulheira é que a menina "estourou", digamos assim, na internet, sem contrato com gravadora nem aparição no Domingão do Faustão. Ela simplesmente postou as musiquinhas dela em algum site e fez sucesso entre os internautas - um sinal dos novos tempos.

Claro, agora que ela faz sucesso, já tem clip "oficial" e parceria com Marcelo Camelo, dos finados Los Hermanos. Só falta ser incluída na trilha sonora de Malhação. Ou será que já foi?

É legal ver alguém surgir do nada, sem esquema de gravadora por trás. Não é legal quando a mídia faz a gente crer que a menina é realmente talentosa - ela precisa comer muito feijão com arroz pra isso.

Volto em breve.

domingo, 27 de julho de 2008

Sinal de vida

Um postzinho rápido só pra dar sinal de vida. Uma coisa que eu descobri é que só devo postar coisas tristes quando estiver de bom humor, porque senão fica aquela coisa choraminguenta, repleta de auto-piedade.

Então, como hoje estou me sentindo particularmente azedo, não vou escrever nada sobre isso. Deixo-os apenas com mais uma tirinha do Perry Bible Fellowship.

domingo, 20 de julho de 2008

O Morcego Sombrio e o Palhaço do Caos


Finalmente arrumei um cinema onde não houvesse filas quilométricas para assistir ao mais novo filme do Batman, "O Cavaleiro das Trevas".

E posso dizer que é o melhor filme de super-herói que eu já vi. Christopher Nolan, o diretor, pegou o clima realista e "pé no chão" do primeiro (Batman Begins) e o amplificou à enésima potência. Lá pelas tantas, eu esqueci que estava vendo um filme cujo personagem principal é um sujeito que veste uma roupa de morcego; há todos os elementos de um bom thriller policial no filme de Nolan e as duas horas e meia passam voando.

Quem espera um filme tradicional de super-herói, com montes de efeitos especiais e piruetas malucas, pode esquecer. Nolan mergulha ainda mais no caráter sombrio do Batman, trocando as piadas fáceis por densidade psicológica - é quase um filme de super-herói para adultos, a despeito da idade mínima ser 12 anos. Batman aparece aqui como um sujeito atormentado e no limite da insanidade, dividido entre ser o herói que Gotham City precisa e tentar ter uma vida normal, passando o cetro para outros tipos de herói, como o promotor Harvey Dent, que move uma cruzada contra os mafiosos de Gotham. Mafiosos esses que, em certo momento, acabam por recorrer aos préstimos de um novo e perigoso maníaco - o Coringa.

Com toda a comoção causada pela morte prematura do intérprete do Coringa, o ator Heath Ledger (este foi seu último filme), parece que elogiar a interpretação dele é quase uma questão de noblesse oblige - não se deve falar mal dos mortos. Mas Heath não precisa disso - seu Coringa é o melhor vilão do cinema nos últimos tempos e sua interpretação é verdadeiramente vulcânica. Como o próprio personagem diz a certa altura, ele é um agente do caos - e é isso o que o torna assustador, um punk psicótico cujo único objetivo é causar morte, anarquia e destruição. Ledger imprime essas características ao personagem numa composição cuidadosa, desde a voz até o jeito de andar e a maneira de olhar. Não é à toa que estão falando em Oscar póstumo para o ator.

Isto não quer dizer que ele necessariamente rouba a cena do Batman ou dos demais personagens - Nolan tem extremo cuidado em fazer com que todos os envolvidos na trama deixem sua marca, e nenhuma é mais trágica do que a do promotor Harvey Dent, que ao longo do filme se transforma de paladino da justiça em um homem torturado e à procura de vingança.

Claro que há as cenas de ação, os momentos de adrenalina, mas eles nunca estão lá para roubar o foco principal, que é nos personagens, seja o angustiado Tenente Gordon (que acaba virando o Comissário Gordon), seja Rachel Dawes, que se divide entre o amor por Harvey Dent e a velha paixão por Bruce Wayne - aliás, um bom trabalho de Maggie Gyllenhaal, substituindo a insossa sra. Tom Cruise, Katie Holmes - que era o ponto fraco do primeiro filme.

Como para reafirmar o foco escolhido pelo diretor, as cenas mais antológicas não são as cenas de ação frenéticas, e sim os embates tensos entre os personagens. Basta ver a cena em que o Batman interroga o Coringa na sala de uma delegacia para se perceber que estamos diante de um filme de heróis completamente atípico.

É um filme denso, realista (na medida em que pode ser realista um filme sobre um cara que se veste de morcego), sombrio - e é um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Silêncio

Estou quieto. Lá fora os carros passam depressa, zumbindo. A tela do computador me olha como um enigma. "Decifra-me ou te devoro." Meus olhos vazios fitam o tempo, a noite é cega.

Estou só. Apenas o ruído do ventilador às minhas costas. Nenhuma palavra. Nenhuma voz humana. Minha barba de uma semana coça. Ontem eu matei uma barata. As bitucas de cigarro se acumulam no cinzeiro.

Estou quieto e sozinho. Meu olhar se perde no escuro do céu entre os prédios. Isto deveria ser vida, mas não é. Ainda não sei o que procuro. Não sei o que desejo. E ao me olhar no espelho, rio de mim mesmo, pois estou muito velho para ter dúvidas. Agora que o tempo escava valas profundas em minha pele, agora que tenho contas a pagar, tenho também dúvidas. É patético. É risível.

Mas as dúvidas serão dirimidas, eu sei. Vislumbro ao longe as montanhas da Transilvânia. Não quero voltar para lá. Quero apenas ficar aqui, quieto, vendo a fina fumaça do cigarro subir ao teto. E quero acabar com as dúvidas e voltar ao que eu tinha antes.

Mas escuto a voz do condutor: "Última chamada para o trem que parte para a Transilvânia! Última chamada!"

Os carros zumbem na rua. Ontem uma barata morreu aqui. Olho-me no espelho, hora de fazer a barba. Hora de decidir. Lentamente, caminho até a marca do pênalti e ajeito a bola com cuidado. "Última chamada..." Tomo distância para o chute.

O cigarro acabou.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Angústia. Ou azia.

Sinto-me obnubilado, tomado por uma vaga angústia que não sei explicar de onde vem. Caminho entre os vivos como se morto eu fosse, observando-os com um misto de penúria e distância. As palavras dos vivos parecem longínquas, como se viessem de um abismo muito profundo, semelhantes à voz de John Lennon em “Tomorrow Never Knows”.

Mas não há nada aqui, nada que me incomode de verdade, nada que me faça desejar a ausência. Apenas me sinto como chumbo, pesado e cinza. (Bom, magro eu não sou, isto é um fato.)
Vai ver que é apenas azia. Um sal de frutas talvez resolva. Uma longa noite de sono (que eu não terei hoje) também poderia resolver.

É que tudo isto parece pequeno, um calabouço, um confinamento. É uma angústia kafkiana, se assim quisermos dizer, pois não possui sentido ou lógica. Simplesmente acontece, como a digestão – estou dizendo, talvez seja azia.

Meu chefe dorme sentado em uma cadeira e ronca como um motor de popa mal regulado. Meus colegas coçam o saco de maneiras diferentes, todos à espera do fim do expediente, horas que não passam, tarde que não termina, vida que não se acaba. Eu escrevo este texto com um bloco de cimento no lugar do coração e este maldito e indefinível incômodo na alma. Um sal de frutas haverá de resolver. Tem de resolver. Por favor.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Poeminha

E lá vou eu quebrar uma regra não escrita deste blog: a de nunca publicar poemas meus aqui. Mas acho que não tem problema, este é tão ruinzinho que não vai fazer diferença, é só pra eu movimentar um pouco este espaço. Lá vai:

esta caçada inútil
este resfolegar sem nexo
como um animal acuado
eu me encolho à espera
do momento mais nítido
em que eu possa lutar
a noite flutua em meu copo
eu me deito como quem morre
e desperto - eis-me tão só
a caçada me leva ao abismo
e o abismo me leva a mim mesmo

A Máquina


Caiu-me nas mãos hoje um livrinho bem interessante, chamado "A Máquina - Michael Schumacher, o Melhor de Todos os Tempos", escrito pela jornalista Alicia Klein. Como fã do alemão, eu não poderia deixar passar barato.

Considero o livro assombroso por duas razões: primeiro, por ser uma peça de propaganda explícita do Schumacher em plena Terra Brasilis, onde, como sabemos, Ayrton Senna é venerado e tido como uma espécie de segunda encarnação de Cristo; e, em segundo lugar, por ter sido escrito por uma... brasileira?

Pois é, machismos à parte, quando é que se poderia imaginar encontrar uma brasileira que gosta de Fórmula 1 e ainda por cima é fã do Schumacher? Avis rara, diria eu.

Claro que o livro tem lá suas limitações como biografia, e não poderia ser diferente: nascido de um trabalho de conclusão do curso de jornalismo, falta-lhe a substância e o peso que só poderiam ser adicionados com entrevistas pessoais com as figuras envolvidas na história do alemão, a começar por ele próprio. Faltam algumas histórias saborosas de bastidores, que devem existir mas às quais a jovem autora, compreensivelmente, não tem acesso.

Isso não lhe tira o mérito de dar uma visão abrangente sobre a carreira de Schumacher, e, ainda por cima, ser uma leitura agradável, mesmo que baseada em fontes de segunda mão.

Ou seja, quem é fã de Fórmula 1 vai ao menos se divertir com o livro. Isso se não for um daqueles xiitas do Senna, para os quais o piloto brasileiro está sentado à direita de deus pai.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O R.E.M. está de volta (e eu também)

Lá se vai quase um ano desde que atualizei o blog pela última vez, nem vale a pena falar no assunto da minha inconstância aqui. De qualquer forma, o retorno se deve a dois fatores: um email do meu pai, pedindo que eu escrevesse algo sobre "Tropa de Elite", o filme e o retorno do R.E.M. em grande estilo - eu simplesmente não resisti e tive que postar aqui.

O post sobre Tropa de Elite fica pra depois (sorry, dad!), mas o retorno do R.E.M. é boa nova, especialmente porque a música nova, "Supernatural Superserious", é boa pra caralho. Quando Michael Stipe começa "Everybody here..." e entra o riff de guitarra, imediatamente você percebe que a banda tomou uma injeção de adrenalina e chutou pra longe a bundamolice do último disco deles.

Vai um link para o clipe da música no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=_We6ubpUHZs

Bem-vindo de volta, R.E.M.

(Ah, detalhe bizarro: o Michael Stipe está ficando a cara do Renato Aragão...)

Depois eu volto.

terça-feira, 3 de abril de 2007

300

This is Spaaaartaaaaa!!!!

Sério, "300" é um inesperado sucesso de bilheteria. O filme de Zack Snyder que conta a história da batalha das Termópilas, entre gregos e persas, parece estar arrastando multidões ao cinema. O que para mim é uma surpresa, por três motivos: 1) o filme se baseia numa HQ de Frank Miller que quase ninguém leu, exceto meia dúzia de fanáticos por HQs; 2) ele não tem sido propagandeado pelos exibidores como um típico blockbuster; e 3) épicos sobre a Antigüidade clássica perderam a força desde que "Tróia" e "Alexandre" naufragaram nas bilheterias.

Então o que explica o sucesso? Vou arriscar apontar dois fatores:

- estética de videoclipe (ou de videogame), muita porradaria, sangue esguichando e cabeças cortadas fazem a festa dos adolescentes;

- a altíssima voltagem homoerótica do filme, que pode ser um gancho para uma enorme invasão gay nas salas de projeção.

Bom, eu vi o filme e tenho que dizer que achei muito divertido, embora eu não seja mais adolescente e tampouco seja gay. Com todo aquele papo de cenários virtuais e fidelidade canina ao material original de Frank Miller eu tive medo que o filme resultasse em algo excessivamente teatral e artificial. Teatral ele é - "This is Spaaaartaaaaa!" - mas o diretor Snyder conseguiu evitar a armadilha do cenário virtual ("olha, tudo foi feito no computador") com o uso de uma fotografia saturada, habilmente desviando a atenção do espectador para as espetaculares cenas de batalha, meticulosamente coreografadas.

Snyder usa e abusa de recursos como câmera lenta e acelerada, pausa no movimento, rápidos giros de câmera e por aí vai, e a trilha sonora com guitarras heavy metal troando deixa tudo com cara de videoclipe, mas um videoclipe muito bem feito.

É claro que o roteiro se desvia totalmente da realidade histórica para incluir inimigos monstruosos, um corcunda deformado que trai os espartanos, um Conselho formado por sábios que parecem o Imperador de "Guerra nas Estrelas" e Rodrigo Santoro no papel de uma versão gigante de RuPaul. Todos estes excessos e maluquices, por incrível que pareça, funcionam a favor do filme e não contra ele. Pretender realismo histórico de um filme com um traveco gigante e guitarras heavy metal é atentar contra o bom senso.

Dito isto, algumas coisas não podem deixar de ser observadas: o filme coloca os espartanos como defensores da justiça e da liberdade, quando na verdade faz propaganda de uma sociedade explicitamente fascista, na qual imperam a eugenia e o totalitarismo do Estado. Além disso, os persas são tratados como inimigos orientais monstruosos e quase terroristas que jogam sujo o tempo inteiro contra a raça branca superior. E o roteiro teve de esticar a história jogando uma trama paralela dispensável envolvendo a rainha Gorgo, de Esparta, que praticamente não aparece na HQ de Miller.

Mas não vale a pena fazer ilações políticas num filme que só tem a pretensão de divertir. E isso ele consegue, com um apuro visual esplendoroso - o contorcionismo flutuante da jovem Oráculo, a belíssima luta entre um lobo (lobo?) e o jovem rei Leônidas, a chuva de flechas que escurece o dia... Momentos de inegável força imagética.

Ah, e quanto ao elemento homoerótico... aposto que este filme vai virar hit na comunidade gay, tamanha a profusão de homens musculosos e suados vestindo apenas uma sunguinha de couro... Se o Village People ainda existisse, não duvido que incorporariam mais um membro (opa!), um espartano mucho macho rebolando e cantando "YMCA"...

quarta-feira, 21 de março de 2007

I'm baaaaaack!

Aaaah, socorro, já estou esquecendo de novo de postar no blog! Mas voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar.

Putz, estou péssimo hoje. Preciso afiar a lâmina, recuperar a verve, botar a cabeça para fora do grande rebanho, senão serei apenas mais um. (Ok, eu sou apenas mais um, mas vamos fingir que não, hein?)

Dias de súbita folga porque está em curso, neste momento, a mudança de sede do local onde trabalho. Então tenho tempo de vadiar bastante, que é o que realmente importa na vida. Surpreendentemente, eu não atualizei o blog tanto quanto poderia nestes últimos dias.

Meu problema com este blog é de indefinição de gênero: não quero que ele seja algo tipo "meu querido diário" (hoje acordei, tomei café, soltei dois peidos etc.), mas também não acho que faça sentido transformá-lo num espaço de crônicas urbanas, por exemplo. (E, de mais a mais, não levo isto aqui a sério enquanto literatura, e nem poderia. São linhas muito mal traçadas e mal pensadas para poderem ter qualquer relevância artística. Acho hilariante quando certos blogueiros pensam que são escritores e transformam seus pensamentos comezinhos em livro. Muahahaha.)

Agora estou ouvindo Luna - "Slash Your Tires". Todo mundo devia ouvir, é maravilhoso. Deviam ouvir isso e não Babado Novo. Sim, eu sou esteticamente um nazista e acho que o meu gosto estético deveria, como o Terceiro Reich, durar mil anos e se impor sobre tudo e todos. Em breve vocês terão notícias minhas quando eu invadir a Polônia.

(E, por favor, não estraguem meus sonhos megalomaníacos dizendo que o Terceiro Reich acabou mal e que os aliados blá-blá-blá, não quero ouvir isso, não nesta manhã gloriosa de folga.)

Ah, a temporada 2007 da F-1 começou. Pra quem gosta, tem post novo no Cockpit.

Evoé, bacantes!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Bleh

Ha. O título do post diz tudo. Estou desanimado para escrever aqui ou para escrever qualquer coisa. Sem inspiração, sem assunto. As coisas seguem seu rumo sem grandes alterações ou novidades, dias amorfos.

Foda é que eu queria ter algo a dizer, fazer alguma diferença, ter alguma relevância. Caso contrário, sou apenas mais um corpo (quase dois, na verdade - hahaha, vejam como estou autodepreciativo hoje) ocupando espaço neste planeta já tão entupido de gente medíocre.

Na verdade, acho que acordei azedo porque dormi muito pouco. Mais uma coisa a se anotar mentalmente: quando você acordar azedo, não escreva no seu blog, não discuta a relação e não alimente os animais.

Agora vou-me. Não para a cama, infelizmente.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

E o Oscar vai para... (agora sim)

E a festa do Oscar, ontem, não teve grandes surpresas, já que Martin Scorsese finalmente saiu da fila e ganhou seu prêmio de melhor diretor. Dupla vitória num ano em que não havia francos favoritos, uma vez que "Os Infiltrados" ganhou também como melhor filme. Houve uma onda em torno de "Pequena Miss Sunshine" nos últimos dias, mas a Academia preferiu apostar no filme de Scorsese - o que, se não chega a ser uma surpresa, não deixa de ser um caso atípico, pois filmes policiais não costumam receber o Oscar.

Pra mim, houve apenas duas surpresas: a derrota de "Carros" na categoria melhor filme de animação (ninguém vai me convencer que "Happy Feet" é um filme melhor do que "Carros") e a escolha de "As Vidas dos Outros", filme alemão, como melhor filme estrangeiro, derrubando o favoritíssimo "O Labirinto do Fauno", do México. Dizem que o alemão é um filme excelente, mas o "Labirinto" parecia tão vencedor que sua derrota não deixou de ser espantosa, ainda mais se considerarmos que faturou outros 3 Oscars em categorias técnicas. Essa também foi uma péssima notícia para mim, que serei obrigado a comer os meus sapatos e as caixas dos meus CDs (quem leu meus posts sobre os indicados sabe do que estou falando).

Entre as principais categorias, tudo seguiu o script: Helen Mirren e Forest Whitaker confirmaram seus favoritismos como melhor atriz e ator, respectivamente, e "Os Infiltrados" e "Pequena Miss Sunshine" também eram barbadas para os prêmios de melhor roteiro original e roteiro adaptado, respectivamente. Entre os coadjuvantes, Jennifer Hudson ganhou como melhor atriz, o que era esperado, e Alan Arkin foi o melhor ator, desbancando o favorito Eddie Murphy. Não dá pra dizer que a vitória de Arkin foi uma surpresa, contudo, porque estas categorias de coadjuvante são sempre muito abertas e dadas a escolhas inusitadas.

No máximo, a derrota de Eddie Murphy só confirma o quanto a Academia esnobou o musical "Dreamgirls", que não conseguiu levar nem ao menos o Oscar de canção original - categoria na qual ele era considerado imbatível, até por ter três (!) músicas indicadas dentre as cinco que concorriam. A vontade de derrubar "Dreamgirls" parecia tão grande que deram o prêmio para uma canção de um documentário (!), fato raro. E esse documentário, "Uma Verdade Inconveniente", faturou o Oscar, confirmando o prestígio de Al Gore na comunidade de Hollywood. Se o sujeito quisesse anunciar ontem que era candidato à Presidência, como ele quase chegou a fazer numa brincadeira combinada com os organizadores da festa, já teria garantido os votos do pessoal que estava na platéia.

De resto, foi uma cerimônia cansativa, chata - como sempre costuma ser - e mais longa do que a dos últimos anos. Ellen DeGeneres foi uma apresentadora discreta, quase invisível.

Alguns momentos:

- a gritaria daquelas cantoras negras nas três músicas de "Dreamgirls", apresentada como um medley, fez com que eu agradecesse pela existência do botão MUDO no controle remoto. Acho inclusive que o Oscar talvez fosse para uma das músicas, mas todo mundo mudou de idéia na última hora, depois de ver aquele festival de gente com dor de barriga berrando descontroladamente;

- a cara de Peter O'Toole quando anunciaram a escolha de Forest Whitaker como melhor ator foi impagável. O inglês não parecia acreditar que tinha sido mais uma vez desprezado pela Academia - é a oitava vez que ele sai de mãos abanando, um recorde entre os atores.

- impagável também foi todo mundo fazendo cara de conteúdo enquanto Ennio Morricone agradecia seu Oscar honorário - em italiano. Clint Eastwood, ao lado dele, traduzia os agradecimentos, mas quando Morricone falava era muito engraçado ver as caras do pessoal fingindo que entendia - e alguns, como Ken Watanabe, com cara de "what the fuck?".

Olha a alegria do Scorsese, que finalmente teve seu talento de diretor reconhecido pelo Oscar

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

E o Oscar... não, ainda não

Escrevi meu comentário sobre os Oscars hoje mesmo, lá no serviço - é, dá pra fazer isso onde eu trabalho - mas não tive oportunidade de postá-lo. Aí pensei: "ha, é fácil, basta salvar num disquete e quando eu chegar em casa eu pratico um pouco de Ctrl-C e Ctrl-V e pronto." Beleza, não fosse por um detalhe: esqueci que não tenho mais drive de disquete - aliás, ninguém mais deveria ter um drive de disquete, essa mídia morta e enterrada.

Ou seja, meus comentários só sairão amanhã, porque, só de sacanagem, eu não vou reescrever tudo hoje.

Inté.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Me Tarzan, You Jane

A capacidade da língua inglesa de sintetizar informação em poucas palavras nunca deixou de me impressionar. Além de ser uma língua com palavras curtinhas, de poucas sílabas, é incrível a capacidade de produzir frases somente com verbos e substantivos, sem nenhum elemento de conexão como preposições. Às vezes esse excesso de sintetismo deixa a frase completamente obscura.

Eu assino o feed RSS da BBC (hã? clique aqui para saber o que é essa sopa de letrinhas) e uma das manchetes me chamou a atenção: "India police probe baby bone find". Fiquei quebrando a cabeça por alguns instantes para entender o que o jornalista queria dizer com isso. Parecia uma seqüência aleatória de palavras com um pouco de ritmo e simetria entre elas, mas eu não consegui entender nada de início. Reparem que não há um artigo, nem ao menos uma preposição. Incrível.

Tive de abrir a notícia para entender do que se tratava: aparentemente, algumas ossadas de bebês foram encontradas nos arredores de um hospital na Índia e a polícia estava investigando o caso.

Ou seja, aquela manchete devidamente traduzida para o português ficaria assim: "Polícia indiana investiga a descoberta de ossadas de bebês". São nove palavras contra seis do original em inglês. O problema é que as seis palavras originais pareciam para mim uma espécie de criptografia ou um telegrama que teve de ser muito resumido por falta de dinheiro...

Resumindo: sejamos sintéticos, mas não percamos a clareza do que queremos dizer...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Preciso

Preciso escrever, mas estou cansado e sem ânimo, e não tenho realmente sobre o que falar. Ou não consigo pensar em nada interessante neste momento.

Preciso dormir, mas as horas passam rápido demais para as coisas que eu quero fazer, e eu acabo dormindo muito pouco, o corpo sempre moído.

Preciso ler centenas de livros e revistas, mas nunca há tempo para ler, nunca - e eu me recuso a fazer qualquer trabalho mental sério quando estou sentado naquele lugar fazendo você sabe o quê.

Preciso de frio, mas o calor doentio desta cidade me deixa amolecido, zonzo, sempre sonolento, sempre agoniado.

Preciso atualizar mais o blog, mas de que adianta se ninguém lê?

Preciso precisar de algo para fazê-lo, o que sempre foi característica minha.

E chega de precisar, isso está me irritando.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Atenção senhores passageiros


Puta que pariu. Desculpem começar o post com um palavrão, mas essa foi a primeira coisa que me veio à mente depois de assistir a Vôo 93, dirigido por Paul Greengrass - que foi indicado ao Oscar de melhor diretor por esse filme.

Fácil entender o porquê da indicação. Vôo 93 é, fácil, fácil, um dos filmes mais bem dirigidos dos últimos tempos. O filme conta uma história dolorosa e ainda tabu para muitos americanos - a dos passageiros que lutaram contra os terroristas que seqüestraram um dos aviões em 11 de setembro de 2001, e que acabaram todos mortos quando o avião caiu na Pensilvânia, sem atingir o alvo pretendido pelos terroristas.

Greengrass foi extremamente hábil e inteligente para evitar duas potenciais armadilhas: o dramalhão e a patriotada. Sem carregar nas tintas, ele usa um estilo semi-documental, com utilização espartana de música, para mostrar as coisas aparentemente banais do começo daquele dia: passageiros conversando entre si, a preparação para a decolagem, o trabalho dos controladores de vôo. Até que o primeiro avião se choca contra uma das torres do World Trade Center. Greengrass mostra que os responsáveis pelo controle do tráfego aéreo americano bateram cabeça até entender o que estava acontecendo, e mostra que a decisão dos passageiros de tentar retomar o avião das mãos dos seqüestradores não foi um ato de heroísmo patriótico, mas sim uma luta desesperada por suas próprias vidas. Neste sentido, o filme segue num crescendo de tensão e nervosismo, e consegue fazer com que o espectador, mesmo sabendo o final da história, permaneça o tempo todo tenso e angustiado.

O uso de atores desconhecidos para interpretar os passageiros, e o fato de algumas pessoas que participaram dos eventos daquele dia estarem no filme interpretando a si mesmas reforça o caráter semi-documental e seco da narrativa, na qual nada parece sobrar ou estar em excesso. Um filme que dá um banho de inteligência e perspicácia no formulaico World Trade Center, dirigido por Oliver Stone, e que escorrega no tom excessivamente reverente.

Em resumo, puta que pariu. Assistam Vôo 93 e vejam uma aula sobre como dirigir um filme.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Indicados ao Oscar - parte final

Ufa, finalmente a parte final da minha modesta análise sobre os indicados ao Oscar. Prometo que em futuras oportunidades serei mais conciso. Às vezes tenho uma certa tendência à prolixidade, e este foi um desses casos. Mas vamos ao que interessa:

Melhor roteiro original

Indicados: Babel, Cartas de Iwo Jima, Pequena Miss Sunshine, O Labirinto do Fauno e A Rainha.

Aqui quem deve ganhar é Pequena Miss Sunshine. A gente já viu esse filme antes: um filminho indie ganha os aplausos da crítica, é badalado e coisa e tal, vai parar no Oscar e, pra não sair de mãos abanando, ganha um prêmio de consolação na forma de melhor roteiro (original ou adaptado). Aconteceu não faz muito tempo com Encontros e Desencontros, lembram? Mas A Rainha tem chances, no mínimo porque ganhou outros prêmios nessa categoria. Veremos.

Momento Esqueceram de Mim: Cadê a indicação para Mais Estranho que a Ficção? O filme foi uma das boas surpresas em termos de roteiro no ano passado, lembrando o estilo maluco do roteirista Charlie Kauffman ao contar a história de um sujeito que descobre que sua vida na verdade é a obra de ficção de uma escritora.

Melhor roteiro adaptado

Indicados: Borat, Filhos da Esperança, Os Infiltrados, Pecados Íntimos e Notas sobre um Escândalo.

Acho que Os Infiltrados leva, mas essa categoria está bem equilibrada, pode sobrar pra qualquer um. A única coisa bizarra é terem indicado Borat, já que o filme é um falso documentário cuja maior parte foi improvisada, então de onde vem a indicação pra melhor roteiro “adaptado”? (Eu sei: é porque Sacha Baron Cohen já havia apresentado o personagem em um programa de TV, mas não deixa de ser estranho).

Momento Esqueceram de Mim: A grande ausência aqui é a de Obrigado por Fumar, um roteiro bem bolado que mostra o cotidiano de um advogado que trabalha na defesa da indústria do cigarro.

Melhor filme em língua estrangeira

Os indicados são Depois do Casamento (Dinamarca), Dias de Glória (Argélia), A Vida dos Outros (Alemanha), O Labirinto do Fauno (México) e Water (Canadá).

Se O Labirinto do Fauno não ganhar, eu como meus sapatos e as caixas dos meus CDs. O filme tem enlouquecido a crítica gringa, e foi indicado em outras cinco categorias, o que mostra o prestígio que ele tem por lá. E merece ganhar mesmo.

Momento Esqueceram de Mim: todo mundo dava como certa a indicação de Volver, de Pedro Almodóvar, até porque o filme acabou sendo indicado para melhor atriz, mas ele ficou de fora, o que foi uma surpresa.

Por último, algumas trivialidades:

- Grande Barbada: A vitória de Carros como melhor filme de animação (alguém duvida?)
- Mega-Momento Esqueceram de Mim: A ausência de Piratas do Caribe – O Baú da Morte entre os indicados a melhor maquiagem. Foi o melhor trabalho de maquiagem que eu vi este ano, então não entendi nada.
- Grande Perdedor Antes de a Cerimônia Começar: Dreamgirls. O filme recebeu oito indicações – o maior número dentre todos os concorrentes – mas foi solenemente ignorado em qualquer categoria principal, descolando só duas indicaçõeszinhas mixurucas para melhor ator e atriz coadjuvantes. Além disso, das oito indicações que recebeu, três (!) foram para a categoria melhor música original. Para o tamanho da badalação que havia antes do anúncio dos indicados, foi pouco, foi pouquíssimo. Comenta-se que a razão pela qual a Academia esnobou o filme é que o estúdio fez uma campanha pelo Oscar agressiva demais, praticamente empurrando o filme goela abaixo dos votantes. E os membros da Academia não gostam de ser escancaradamente pressionados.

No dia 25 de fevereiro a gente descobre se eu errei muito ou acertei alguma coisa.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Oscar 2007 - Os indicados - parte 3

Mais uma análise dos indicados...

Melhor atriz

As indicadas são Penélope Cruz (Volver), Judi Dench (Notas sobre um Escândalo), Helen Mirren (A Rainha), Meryl Streep (O Diabo Veste Prada) e Kate Winslet (Pecados Íntimos)

Helen Mirren é a favorita disparada, também fazendo um “rapa” dos principais prêmios graças ao seu trabalho como a rainha Elizabeth II. Dificilmente ela perde, então aposto nela. Meryl Streep corre por fora, mas a mulher já deveria ser considerada hors-concurs; afinal, esta é sua 14a indicação! Mesmo assim, “só” ganhou duas vezes. O resto está lá para fechar a lista.

Momento Esqueceram de Mim: duas grandes interpretações foram esquecidas pela Academia: Annette Bening em Correndo com Tesouras e Maggie Gyllenhaal em Sherrybaby. Ambas foram muito elogiadas pela crítica e certamente mereciam um lugar na lista.

Melhor ator coadjuvante

Os indicados são Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine), Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos), Djimon Hounsou (Diamante de Sangue), Eddie Murphy (Dreamgirls) e Mark Wahlberg (Os Infiltrados).

Categoria bizarra este ano. Alan Arkin parece despontar na frente (seu papel do velho hippie viciado em maconha em Pequena Miss Sunshine é impagável), mas Eddie Murphy, que ganhou o Globo de Ouro nesta categoria, tem chance também, e ajuda o fato de ele concorrer por um papel sério. Djimon Hounsou, que dizem ser a melhor coisa de Diamante de Sangue (melhor até que o ator principal, DiCaprio) também tem alguma possibilidade. Enfim, tudo embolado, e estas categorias de ator e atriz coadjuvante sempre trazem alguma surpresa.

Momento Esqueceram de Mim: Cadê o Jack Nicholson como o mafioso de Os Infiltrados? Por que indicaram Mark Wahlberg (que está correto no filme) no lugar dele, se o papel de Wahlberg é bem menor e menos importante? Outros que foram esquecidos: Adam Beach no papel de um dos soldados americanos em A Conquista da Honra (muita gente dizia que era uma nomeação certa), Brad Pitt por Babel (pô, até que merecia pelo menos a indicação) e Stanley Tucci como o veadinho assessor de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (esta foi uma das grandes injustiças deste ano, o cara está ótimo no papel).

Melhor atriz coadjuvante

As indicadas são Adriana Barraza (Babel), Cate Blanchett (Notas sobre um Escândalo), Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), Jennifer Hudson (Dreamgirls) e Rinko Kikuchi (Babel).

Outra categoria embolada e tradicionalmente dada a surpresas. Em tese, Jennifer Hudson é a favorita (ganhou Globo de Ouro, blá-blá-blá), mas como o filme foi esnobado pela Academia, as chances dela estão murchando. Aí pode sobrar para a menina Abigail Breslin (às vezes Hollywood gosta de premiar crianças) ou para a japonesa Rinko Kikuchi, que faz um papel sempre difícil para um ator, o de uma garota surda-muda.

Em breve, a quarta e última parte!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Mais Oscar 2007

Agora vamos para as categorias de melhor diretor e melhor ator.

Melhor Diretor

Os indicados são Alejandro González Iñárritu (Babel), Martin Scorsese (Os Infiltrados), Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima), Stephen Frears (A Rainha) e Paul Greengrass (Vôo United 93).

Martin Scorsese tem mais uma chance de ganhar um prêmio que já lhe escapou por cinco vezes (e em uma dessas ocasiões ele perdeu justamente para Clint Eastwood, com quem ele concorre de novo). Se a Academia tiver algum juízo, vai premiar Scorsese, não apenas pelo seu ótimo trabalho em Os Infiltrados, mas também para corrigir as mancadas que deu no passado. Claro que Eastwood tem chances de novo, até porque é querido pela Academia, mas tudo aponta para a vitória de Scorsese este ano. O mexicano Iñárritu tem chances mínimas, porque seu filme é o favorito, mas como nos últimos tempos a Academia não tem feito muita questão de premiar conjuntamente um filme e seu diretor (o que é meio bizarro, já que o melhor diretor deveria ser quem dirigiu o melhor filme), então acho que ele não leva. A Academia também reconheceu o excepcional trabalho de Paul Greengrass, que pegou um tema complicado e altamente sensível para os americanos (os últimos momentos dos passageiros de um dos aviões que foi seqüestrado durante os atentados de 11/9) e deu um banho em Oliver Stone, que fez o formulaico World Trade Center.

Momento Esqueceram de Mim: Mais uma vez a Academia comete a burrada de indicar um filme para o prêmio principal e “esquecer” de indicar seu diretor, no caso a dupla Valerie Faris e Jonathan Dayton, que dirigiu Pequena Miss Sunshine. Vai entender... Além disso, também não indicaram Bill Condon, que dirigiu Dreamgirls, mas como o filme foi esnobado pela Academia, não é de se estranhar.

Melhor ator

Os indicados são Leonardo DiCaprio (Diamante de Sangue), Ryan Gosling (Half Nelson), Peter O’Toole (Vênus), Will Smith (À Procura da Felicidade) e Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia).

Forest Whitaker só não ganha se acontecer alguma grande catástrofe mundial, já que ele é o favorito disparado – ganhou todos os prêmios possíveis pelo papel do ditador ugandense Idi Amin Dada. Mas, na verdade, as coisas não estão tão fáceis para ele, porque Peter O’Toole pode roubar o prêmio num daqueles momentos sentimentais da Academia – o cara é um veterano, já recebeu trocentas indicações e nunca ganhou, vamos premiá-lo este ano. É verdade que O’Toole já tem um Oscar honorário pelo conjunto da carreira, mas nunca ganhou por um de seus trabalhos de interpretação. Mesmo assim, aposto em Whitaker. Palmas para a Academia por ter reconhecido o trabalho excepcional de Ryan Gosling em Half Nelson, no qual interpreta um professor viciado em drogas. Mas ele não tem chance, até porque o filme é uma daquelas produções independentes que passou em dois cinemas e foi visto por meia dúzia de gatos pingados. Deve se dar por feliz com a indicação. DiCaprio tinha dois filmes pelos quais concorrer (o outro é Os Infiltrados), mas optaram por indicá-lo pelo trabalho em Diamante de Sangue – Hollywood adora um ator que faz um personagem com sotaque. Mas ele não é favorito. E alguém pode me explicar o que é que Will Smith está fazendo nessa lista?

Momento Esqueceram de Mim: O comediante britânico Sacha Baron Cohen, que ganhou um Globo de Ouro pelo papel do repórter sem-noção em Borat, foi esnobado pela Academia, que notoriamente tem dificuldades em dar valor a quem faz comédia.

Amanhã tem mais...